Ainda no mesmo Congresso em Fortaleza, aprontamos outra com Joab.
Quando o mesmo adormeceu embriagado, resolvemos colocá-lo no meio do
pátio, que ficava no meio de várias salas de aula, que abrigavam várias
delegações de Estados diferentes.
O gago tinha um sono
pesado infernal e na tentativa de deixá-lo mais confortável, resolvemos
levá-lo com colchão e tudo. Mas logo que saímos da porta, de tanto rir, Marcos Rapariga
deixa o lado do colchao que carregava escorregar e lá vai o gago pro
chao, de cara. Nao fiquei pra ver, mas tudo indicava que o mesmo havia
quebrado pelo menos o nariz, pois a altura em que carregavamos o colchao
era de pelo menos meio metro.
Nos escondemos e
esperamos ele se levantar puto. Que nada. O homem só fez passar a perna
em cima do colchao, se aninhando e voltou a dormir de novo, somente com a
velha sunga azul fluorescente. Resolvemos continuar com a via crucis e
levar o defunto pro pátio. No meio do caminho, um engraçadinho achando
graça da primeira queda do gago, resolveu soltar o colchao de proposito e
novamente lá vai o cadaver pro chao. E isso se repetiu ainda mais umas 3
vezes até o destino final, com o atenuante de que as quedas agora eram
na areia, que apesar de serem mais macias, enchiam a cara do presunto de
areia.
Fomos dormir e deixamos o morto lá no meio do
terreiro, entre maconheiros e moças de familia. Como tambem estavamos em
avançado estado de embriaguez, todo mundo adormeceu e se esqueceu de
Joab. Um individuo da nossa delegação, que nao havia bebido, levantou-se
cedo e avistando aquela cena grotesca, correu para acordar a galera.
Todos pularam dos colchões e correram pra observar aquele triste
espetaculo.
Devia ter umas cinquenta pessoas ao redor
do rapaz, todas morrendo de rir. Joab e sua sunga, em posicao fetal,
todo suado devido ao forte sol cearense, os oculos todo torto, a cara
cheia de areia, babando e com uma mao na cabeça e outra no meio das
pernas. E o desgraçado ainda roncava alto. A galera gritava: "Acorda, acorda!!!",
e o gago rolava pro outro lado. Nós estavamos escondidos,
evidentemente. Então quando ele acordou, como se nada tivesse
acontecendo, e ainda na posição em que estava deitado, olhou de lado por
cima do ombro e deu um sorriso que mesmo sem dizer nada, perguntava
claramente: "que porra é essa? onde estou?".
Elegantemente,
com um risinho no canto dos lábios, ajeitou os óculos, limpou o suor da
testa com as costas das mãos, assoou a areia que entrava nas suas fuças
e cuspiu tambem a areia que estava na sua boca, ajeitou a sunga, que
nessa hora adentrava na bunda, parou novamente, deu uma olhada ao redor,
outra risada, dessa vez mais forte, abaixou-se deixando sua retaguarda
amplamente desprotegida, levantou o colchão, sacudiu a areia que nele
estava, colocou o mesmo embaixo do braço e se retirou de cena debaixo de
aplausos, caminhando lentamente por uns segundos e logo em seguida
engatando um sprint pra dentro do quarto, em tempo de cair tropeçando no
colchão, que teimava em atrapalhar sua corrida.
Fabiano Holanda, Toronto, setembro de 2004.

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