Ainda sem ter digerido a desgraça ocorrida na ultima sexta-feira, 19 de
janeiro, tento escrever alguma coisa aqui, já que não posso fazer muito
mais...
Geraldo Segundo, o nosso amigo, foi assassinado covardemente, em plena luz do dia, apos um dia de trabalho.
O termo “assassinado covardemente” é muito pesado pra você? Então vejamos... O assassino temos: o motorista valentão. A arma do crime temos: o veículo. E alguém discorda que dirigir imprudentemente, tentando brigar com outro que supostamente lhe deu uma “trancada”, é ou não uma forma de puxar um gatilho?
No meu ponto de vista, e aviso logo que faço montes pra quem discordar dele, é que o que aconteceu com o nosso amigo Gereba foi o mesmo que ocorreu com aquele sujeito que estava andando numa praça e levou um tiro na cara e morreu sem nem saber que estava morrendo, muito menos o motivo...
Eu espero em Deus que esse irresponsável seja punido na lei dos homens, na lei divina ou em qualquer outra lei que por ventura desejem. Em brancas nuvens é que não se pode passar. Chega. A vida humana não é mais material precioso na terra tupiniquim...
Tira-se a vida de alguém que nem se conhece. Alguém na flor da idade, cheio de sonhos, planos, projetos futuros... Alguém que sequer teve tempo de construir sua própria família, saborear a beleza de ter filhos... É muita crueldade...
Segundo morou com seus tios Cínara e Daltinho em Montreal quando chegou ao Canadá. Quando se mudou pra província de Ontário, veio morar comigo e na minha casa ficou por mais ou menos uns 6 meses... Não teve um final de semana nesse periodo em que não ficássemos ate de manhã, tomando umas, assando carne, ouvindo musica e conversando, debatendo... Quantas saudades desse tempo... Eu, ele e o baiano Bizinho... Depois fomos agraciados com a chegada de Walter Junior, o querido Maninho, que passou a fazer parte dessas noitadas...
Poucos dias antes de voltar ao Brasil, Gereba veio à minha casa se despedir e conhecer minhas filhas gêmeas que haviam acabado de nascer. Trouxe com ele duas caixas de fraldas, um vistoso litro de Absolut e a amiga Lis.
A Absolut, absolutamente, desceu rapidamente. Conversamos sobre os planos de cada um e ele me disse: “Rapaz, vou embora. Vou voltar a ser engenheiro no Brasa, pois essa vida de Canadá é muito boa, mas já enchi o saco...”
Comemos uma lasanha e pra sobremesa tivemos um bolo de cenoura, com cobertura de chocolate. Segundo velho comeu mais da metade do bolo sozinho, sempre se levantando pra ir pegar outra fatia e dizendo: “Homi, esse bolo ta pau demais, homi...” E dava uma daquelas risadas dele... E de comentário em comentário, lá se foi metade do bolo...
Quando nos despedimos, ele me deu um abraço e disse: “Amigo Dasca, espero você em Natal pra derrubarmos uns litros de vodka com nosso amigo Berbera...”
Infelizmente, algum filho da puta interrompeu esses planos. Um espírito de porco que não satisfeito em se fuder sozinho, ceifa a vida de outro individuo, pensando ser uma estrada um brinquedo de autorama, onde ele pode colocar pra fora suas frustrações...
Amigo Segundo, sei que de onde estás, com certeza irás ler essa mensagem, pois eras um dos parcos leitores desse blog. Um dia ainda tomaremos as vodkas que combinamos e com certeza, levarei um bolo de cenoura inteiro pra você devorar sem precisar disfarçar com aquele frasezinha fuleira...
Vai com Deus, amigo Gera... Você é um cara muito querido, vide as demonstrações de carinhos dos seus amigos... Gostaria de transcrever aqui o ultimo e-mail que recebi de Gereba... Ele me disse: “Estava indo um dia pro trabalho, logo cedo, e me peguei pensando no período em que morei por ai! Te digo uma coisa, Fabiano, inconscientemente, aprendi muita coisa com você... E serei sempre grato por isso! Valeu!”
Valeu você, Segundão. Descanse em paz e um dia todos nós estaremos reunidos novamente. Um forte abraço e não se preocupe, a gente te acha.
Geraldo Segundo, o nosso amigo, foi assassinado covardemente, em plena luz do dia, apos um dia de trabalho.
O termo “assassinado covardemente” é muito pesado pra você? Então vejamos... O assassino temos: o motorista valentão. A arma do crime temos: o veículo. E alguém discorda que dirigir imprudentemente, tentando brigar com outro que supostamente lhe deu uma “trancada”, é ou não uma forma de puxar um gatilho?
No meu ponto de vista, e aviso logo que faço montes pra quem discordar dele, é que o que aconteceu com o nosso amigo Gereba foi o mesmo que ocorreu com aquele sujeito que estava andando numa praça e levou um tiro na cara e morreu sem nem saber que estava morrendo, muito menos o motivo...
Eu espero em Deus que esse irresponsável seja punido na lei dos homens, na lei divina ou em qualquer outra lei que por ventura desejem. Em brancas nuvens é que não se pode passar. Chega. A vida humana não é mais material precioso na terra tupiniquim...
Tira-se a vida de alguém que nem se conhece. Alguém na flor da idade, cheio de sonhos, planos, projetos futuros... Alguém que sequer teve tempo de construir sua própria família, saborear a beleza de ter filhos... É muita crueldade...
Segundo morou com seus tios Cínara e Daltinho em Montreal quando chegou ao Canadá. Quando se mudou pra província de Ontário, veio morar comigo e na minha casa ficou por mais ou menos uns 6 meses... Não teve um final de semana nesse periodo em que não ficássemos ate de manhã, tomando umas, assando carne, ouvindo musica e conversando, debatendo... Quantas saudades desse tempo... Eu, ele e o baiano Bizinho... Depois fomos agraciados com a chegada de Walter Junior, o querido Maninho, que passou a fazer parte dessas noitadas...
Poucos dias antes de voltar ao Brasil, Gereba veio à minha casa se despedir e conhecer minhas filhas gêmeas que haviam acabado de nascer. Trouxe com ele duas caixas de fraldas, um vistoso litro de Absolut e a amiga Lis.
A Absolut, absolutamente, desceu rapidamente. Conversamos sobre os planos de cada um e ele me disse: “Rapaz, vou embora. Vou voltar a ser engenheiro no Brasa, pois essa vida de Canadá é muito boa, mas já enchi o saco...”
Comemos uma lasanha e pra sobremesa tivemos um bolo de cenoura, com cobertura de chocolate. Segundo velho comeu mais da metade do bolo sozinho, sempre se levantando pra ir pegar outra fatia e dizendo: “Homi, esse bolo ta pau demais, homi...” E dava uma daquelas risadas dele... E de comentário em comentário, lá se foi metade do bolo...
Quando nos despedimos, ele me deu um abraço e disse: “Amigo Dasca, espero você em Natal pra derrubarmos uns litros de vodka com nosso amigo Berbera...”
Infelizmente, algum filho da puta interrompeu esses planos. Um espírito de porco que não satisfeito em se fuder sozinho, ceifa a vida de outro individuo, pensando ser uma estrada um brinquedo de autorama, onde ele pode colocar pra fora suas frustrações...
Amigo Segundo, sei que de onde estás, com certeza irás ler essa mensagem, pois eras um dos parcos leitores desse blog. Um dia ainda tomaremos as vodkas que combinamos e com certeza, levarei um bolo de cenoura inteiro pra você devorar sem precisar disfarçar com aquele frasezinha fuleira...
Vai com Deus, amigo Gera... Você é um cara muito querido, vide as demonstrações de carinhos dos seus amigos... Gostaria de transcrever aqui o ultimo e-mail que recebi de Gereba... Ele me disse: “Estava indo um dia pro trabalho, logo cedo, e me peguei pensando no período em que morei por ai! Te digo uma coisa, Fabiano, inconscientemente, aprendi muita coisa com você... E serei sempre grato por isso! Valeu!”
Valeu você, Segundão. Descanse em paz e um dia todos nós estaremos reunidos novamente. Um forte abraço e não se preocupe, a gente te acha.
Na foto acima, no meu quintal, com algumas Molson Dry e uma feijoada. Molso Dry era a nossa preferida na época.
Fabiano Holanda, Brampton, Janeiro de
2007.

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