Thursday, 22 July 2021

O carniceiro lusitano





No mundo do futebol, não existe uma entidade que eu tenha mais ódio do que uma bodega chamada Vasco da Gama e por consequência, seus torcedores imundos. Possuem menos títulos do que o Flamengo em todos os campeonatos importantes e mesmo assim, não fecham a matraca. Mas também pudera, olhe onde foram buscar o nome do seu time. Não sei se intencionalmente ou mesmo burrice, escolheram um canalha português pra dar nome a essa mundiça.


Eles gostam desse tipo de gente, pois por muito tempo o presidente do clube era um canalha maior do que Vasco da Gama, um ser abominável chamado Eurico Miranda, que era o retrato de tudo de podre que aconteceu no futebol brasileiro nos últimos 30 anos. Só podia ser um grupo de marginais pra se espelhar no original.


Em julho de 1497, uma frota de três caravelas e uma nau de suprimentos saiu de Portugal pra traçar pela primeira vez o caminho marítimo para as índias. Quando saiu de Portugal na nau capitania São Gabriel, Vasquinho era apenas um obscuro fidalgo alentejano, ligado a um grupo de cortesãos sem moral na corte de Dom Manuel. Ele só foi escolhido para essa viagem porque os portugueses não acreditavam no sucesso da expedição e queriam mesmo que Vasquinho tomasse na bunda. Ele tinha então uns 30 e poucos anos, era cruel e não muito inteligente.


Vasquinho abriu o caminho das Índias apoiado na diplomacia do trabuco e nunca esteve nos seus planos estabelecer relações amigáveis com os povos visitados. Ele nunca hesitou em bombardear os portos de que se aproximava. O primeiro contato com a civilização oriental foi logo no porto de Moçambique, que era um importante centro comercial dominado por mercadores árabes.


Quatro naus estavam atracadas no porto, com pecas de ouro e prata a bordo. Vasquinho meteu chumbo no porto até obrigar o sultão a lhe dar água potável e dois pilotos pra guia-los pela costa. Quando já ia saindo, se lembrou de que gostava de pegar o que era dos outros e saqueou dois navios cheios de mercadorias. Depois, a próxima parada foi a ilha de Zanzibar. O piloto pensou que a ilha era o continente e levou 50 chicotadas por isso. Bem bonzinho, o Vasquinho. Por causa dessas chicotadas, Zanzibar ficou conhecida pelos portugueses como “Ilha do Açoitado”. Depois, em Melinde, na costa do Quenia, o navegador trocou um refém nobre por um piloto árabe, que conduziu a frota em segurança até as Índias.


Se você for um bom observador, você vai ver que Vasquinho não chegou as Índias devido a estudo e nem a coragem, pelo contrário, esse canalha só chegou lá com a ajuda dos pilotos que ele ia sequestrando pelo caminho. No final, disse que conseguiu achar o caminho por ele mesmo. Nossa, Eurico tinha mesmo em quem se espelhar.


Vasquinho passou 3 meses na Índia e como não poderia ser diferente, foram 3 meses fazendo merda após merda. O primeiro contato feito por ele foi com dois tunisianos que falavam castelhano e genovês e que iludidos, festejaram a chegada dos portugueses com gritos de “buena fortuna, buena fortuna”. Foi ai que começou o desastre.


Na cabeça pouco privilegiada de Vasquinho, ele dividia o mundo entre cristãos, os bons e os muçulmanos, os hereges. E como pouco pensava, vasquinho achava que a Índia era cheia de cristãos. Então fez uma visita a um templo hindu e ficou surpreso com as imagens dos deuses de vários braços e se perguntou, com cara de asno, “Onde estão os nossos santos?”


Vasquinho estava acompanhado de 11 fidalgos e de um intérprete, e entregou ao rei indiano uma carta do rei Dom Manuel. O rei ouviu o relato de que a coroa portuguesa era a mais poderosa da Europa e uma das mais ricas em ouro. Não me espanta hoje em dia, o Vasco da Gama continuar aumentando seus próprios méritos e conquistas. A mentira vem desde de Dom Manuel.


Tudo corria bem ate que a comitiva portuguesa mostrou os presentes que havia trazido. O rei indiano ficou chocado com a pobreza dos presentes: uma dúzia de casacos, seis chapéus, seis bacias, um pacote de açúcar e dois barris de manteiga, já meio rançosa depois de tanto tempo no mar. O rei então perguntou porque que eles não trouxeram nada que preste, uma vez que vinham de um país tão rico. Uma vergonha.


Então Vasquinho traçou um plano bem coerente com seu caráter. Passou a saquear as embarcações que cruzavam o oceano Indico e pegava essas mercadorias roubadas e ia comercializar na região. Durante a viagem de volta à Portugal, Vasquinho fez uma escala na ilha de Cabo Verde, na África, pra cuidar do irmão doente, que morreu logo depois.


Ao chegar a Lisboa, em setembro de 1499, numa caravela fretada em Cabo Verde, foi recebido como herói nacional. Ganhou título de almirante, propriedades e uma pensão generosa. Três anos depois voltou a Índia com uma esquadra de vinte navios e enriqueceu roubando mercadores árabes e indianos que encontrou pelo caminho.


Isso, lógico, não está registrado nos livros didaticos que ensinam a história das grandes navegações às crianças, mas Vasquinho tratou seus prisioneiros com uma crueldade enorme, enviando cestos com suas cabeças decepadas às famílias desses homens, nas cidades costeiras. Num episódio marcado por um barbarismo enorme, Vasquinho queimou um navio lotado de peregrinos muçulmanos no Oceano Indico. Lá dentro, queimados, morreram 240 homens, mulheres e crianças.


Aí depois o gente boa do Pedro Alvares Cabral, após sair do Brasil, seguiu o mesmo caminho de Vasquinho e bombardeou a Índia, matando mais de 400 pessoas na cidade de calicute. Enfim, Eurico e Vasco da Gama, dois nomes de quem nos devemos ter um orgulho enorme. Onde o Vasco está, estão também os roubos, mentiras e safadezas. E por mais que pareça, nada escrito acima é fruto da minha imaginação. É a mais pura verdade.


Fabiano Holanda, maio de 2008, Mississauga, ON. 

Wednesday, 7 July 2021

O bem-estar comum

 


Nos tempos antigos, tudo que uma família consumia era fruto do que ela produzia. Digamos que essa família tinha um terreno e beleza tinha vacas, galinhas, ovelhas, milho, laranja, verduras e capim. Consumiam o leite da vaca, seu couro e sua carne. Da ovelha comiam a carne e faziam casacos. Com o milho comiam e davam pras galinhas e delas comiam os ovos e sua carne. E assim por diante.

Com o passar do tempo, e suas habilidades foram aumentando com a prática, perceberam que tinham mais habilidade em fazer casacos do que seus vizinhos e no final tinham mais casacos do que consumiam. Esse excedente não servia pra eles, então o que fazer? Ora, o vizinho do lado aprendera a fabricar sapatos com o couro do boi. A primeira família não sabia fazer sapatos. Mas tinham casacos que o vizinho dos sapatos não tinha.

A primeira família foi na casa do vizinho e disse : “Oi amigo, eu tenho um casaco aqui sobrando. Você tem um sapato aí sobrando?”. O vizinho respondeu: “Um casaco? Que interessante, eu não sei fazer um mas ele pode ter grande uso pra mim. Quero trocar sim”.

Assim, a primeira família passou a possuir um sapato e o vizinho passou a ter um casaco, mesmo sem tê-los produzidos. Foi uma alegria geral. Logo a família inteira estava calçada e a família do vizinho não estava mais passando frio, mesmo sem ter produzido esses itens. O terceiro vizinho fazia chapéus e o quarto fazia ferramentas. Logo as quatro famílias tinham casacos, sapatos, ferramentas e chapéus, mesmo cada uma só fabricando uma coisa.

A especialidade de cada família produziu um bem comum. A vida de cada família era agora mais confortável. E cada vez mais esses produtos iam ficando mais aprimorados e conseguiam produzi-los com um custo cada vez mais baixo. E a ideia se espalhou por toda a aldeia. Quando pensavam em começar a produzir algo, eles iam criar algo que não existia algum produtor ainda.

Até que o sistema foi se aprimorando e começaram os questionamentos do tipo : “Acho que meu casaco vale mais do que seu sapato”. “Ah não, minha ferramenta vale mais do que seu casaco”. Como resolver isso? Foi então decidido que o valor de cada produto seria dado pelo número de horas que era gasto pra produzi-lo. Se demorava dez horas pra fazer um casaco e vinte horas pra fazer um sapato, cada sapato valeria dois casacos.

Eu não produzo pães, mas sei que tem um sujeito, que chamamos de padeiro, que produz pães maravilhosos, frescos e saborosos. Eu sei onde ir pra conseguir esse produto. Hoje já não uso minha produção pra comprar outra produção, eu uso um negócio chamado dinheiro, que foi criado depois pra facilitar essas transações comerciais.

Mas o padeiro produz esse pão quentinho, fresco, cada vez mais saboroso, porque ele é um cara legal e pensa no bem da comunidade? Pensa ele : “Vou produzir aqui meu pão porque Fabiano gosta e meu objetivo maior é ver Fabiano feliz?”

Negativo. Ele produz o pão pra poder ter o lucro dele. Pra poder ter o seu sustento ou pra poder ficar rico e dar uma vida melhor pra família dele. É interesse dele ter o pão ali disponível pra alguém comprar. É trabalho dele ir atrás de comprar os ingredientes, de alugar um ponto comercial, de contratar funcionários e o prêmio dele por ter feito tudo isso está no seu lucro.

Adam Smith, o escocês pai da economia moderna diz que não há nada de errado nisso. Pelo contrário. Esse suposto egoísmo do padeiro é que traz o bem-comum pra toda uma sociedade. E se tiver dois padeiros no mesmo lugar, a tendência é eles brigarem pra fazer um pão cada vez melhor e com um preço mais baixo, tanto pra produzir quanto pra vender. O que beneficia o consumidor e novamente presta um serviço ao bem-comum.

Isso tudo que nós falamos até agora não teve a presença nefasta de um personagem que onde mete as mãos, sika de fezes : O Estado! Agora, o governo quer que o pão seja vendido à um preço que ele estabeleceu em uma tabela, barateando o pão para que supostamente toda a população possa comprar. O que isso vai causar? Ou os padeiros irão parar de fabricar os pães pois não valerá a pena ou os pães irão cair bastante na sua qualidade final.

Sem interferir no mercado, o máximo que o estado poderia fazer seria a criação de vale-pães pros menos abastados, sem que isso interferisse no mercado de pães diretamente. O mercado se regularia através do que Smith chamou de a mão invisível.

Buscando o bem-estar comum, esse padeiro vai empregar um certo número de funcionários, que alimentarão suas famílias e não precisarão desses vale-pão que o governo ofertaria aos mais desfavorecidos. Através do recolhimento de impostos feito junto à esse padeiro, o estado seria uma espécie de sócio do padeiro, pois recebe sua parte nos impostos.

O padeiro, além de saciar sua fome, ajuda a empregar funcionários, desonerando o estado e pelo contrário, esses funcionários pagam impostos sobre suas rendas (se não forem isentos), assim como o padeiro, aumento a receita do estado. É uma situação onde todos ganham.

Mas o que o comunista desgraçado quer? Como ele é um preguiçoso imundo, ele nunca quis, não quer e bunda vai querer trabalhar na vida. E quando vê alguém trabalhando, ele tem que ir atrapalhar isso. Tipo se eu não faço, você também não faz. Ele baseado em Karl Marx, vai no funcionário, como o diabo vai no ouvido das pessoas e os convence de que eles estão sendo explorados. Que eles devem ter o mesmo lucro do dono da padaria.

O outro idiota acredita, porque nunca fez a gestão de nada e tudo cai por terra. A padaria fecha, o governo para de receber impostos, passa a ter que sustentar essas feras e aquela localidade vai pro brejo. Tudo isso porque um preguiçoso mal intencionado. A primeira etapa de um estudo sério sobre economia é fazer um paralelo entre o Deus do capitalismo e o diabo do comunismo. Adam Smith versus Karl Marx. Se depois de ler os dois você ainda optar pelo segundo, me faça um favor, não chegue perto de mim.

Fabiano Holanda, abril de 2008, Mississauga, ON.

 

 

 

Reputação

Meu amigo Hindenberg Dutra me disse certa vez, em mesa de bar na saudosa Picanha do Dudé, na avenida Xavier da Silveira, em Morro Branco : ...