No mundo do futebol, não existe uma entidade que eu tenha mais ódio do que uma bodega chamada Vasco da Gama e por consequência, seus torcedores imundos. Possuem menos títulos do que o Flamengo em todos os campeonatos importantes e mesmo assim, não fecham a matraca. Mas também pudera, olhe onde foram buscar o nome do seu time. Não sei se intencionalmente ou mesmo burrice, escolheram um canalha português pra dar nome a essa mundiça.
Eles gostam desse tipo de gente, pois por muito tempo o presidente do clube era um canalha maior do que Vasco da Gama, um ser abominável chamado Eurico Miranda, que era o retrato de tudo de podre que aconteceu no futebol brasileiro nos últimos 30 anos. Só podia ser um grupo de marginais pra se espelhar no original.
Em julho de 1497, uma frota de três caravelas e uma nau de suprimentos saiu de Portugal pra traçar pela primeira vez o caminho marítimo para as índias. Quando saiu de Portugal na nau capitania São Gabriel, Vasquinho era apenas um obscuro fidalgo alentejano, ligado a um grupo de cortesãos sem moral na corte de Dom Manuel. Ele só foi escolhido para essa viagem porque os portugueses não acreditavam no sucesso da expedição e queriam mesmo que Vasquinho tomasse na bunda. Ele tinha então uns 30 e poucos anos, era cruel e não muito inteligente.
Vasquinho abriu o caminho das Índias apoiado na diplomacia do trabuco e nunca esteve nos seus planos estabelecer relações amigáveis com os povos visitados. Ele nunca hesitou em bombardear os portos de que se aproximava. O primeiro contato com a civilização oriental foi logo no porto de Moçambique, que era um importante centro comercial dominado por mercadores árabes.
Quatro naus estavam atracadas no porto, com pecas de ouro e prata a bordo. Vasquinho meteu chumbo no porto até obrigar o sultão a lhe dar água potável e dois pilotos pra guia-los pela costa. Quando já ia saindo, se lembrou de que gostava de pegar o que era dos outros e saqueou dois navios cheios de mercadorias. Depois, a próxima parada foi a ilha de Zanzibar. O piloto pensou que a ilha era o continente e levou 50 chicotadas por isso. Bem bonzinho, o Vasquinho. Por causa dessas chicotadas, Zanzibar ficou conhecida pelos portugueses como “Ilha do Açoitado”. Depois, em Melinde, na costa do Quenia, o navegador trocou um refém nobre por um piloto árabe, que conduziu a frota em segurança até as Índias.
Se você for um bom observador, você vai ver que Vasquinho não chegou as Índias devido a estudo e nem a coragem, pelo contrário, esse canalha só chegou lá com a ajuda dos pilotos que ele ia sequestrando pelo caminho. No final, disse que conseguiu achar o caminho por ele mesmo. Nossa, Eurico tinha mesmo em quem se espelhar.
Vasquinho passou 3 meses na Índia e como não poderia ser diferente, foram 3 meses fazendo merda após merda. O primeiro contato feito por ele foi com dois tunisianos que falavam castelhano e genovês e que iludidos, festejaram a chegada dos portugueses com gritos de “buena fortuna, buena fortuna”. Foi ai que começou o desastre.
Na cabeça pouco privilegiada de Vasquinho, ele dividia o mundo entre cristãos, os bons e os muçulmanos, os hereges. E como pouco pensava, vasquinho achava que a Índia era cheia de cristãos. Então fez uma visita a um templo hindu e ficou surpreso com as imagens dos deuses de vários braços e se perguntou, com cara de asno, “Onde estão os nossos santos?”
Vasquinho estava acompanhado de 11 fidalgos e de um intérprete, e entregou ao rei indiano uma carta do rei Dom Manuel. O rei ouviu o relato de que a coroa portuguesa era a mais poderosa da Europa e uma das mais ricas em ouro. Não me espanta hoje em dia, o Vasco da Gama continuar aumentando seus próprios méritos e conquistas. A mentira vem desde de Dom Manuel.
Tudo corria bem ate que a comitiva portuguesa mostrou os presentes que havia trazido. O rei indiano ficou chocado com a pobreza dos presentes: uma dúzia de casacos, seis chapéus, seis bacias, um pacote de açúcar e dois barris de manteiga, já meio rançosa depois de tanto tempo no mar. O rei então perguntou porque que eles não trouxeram nada que preste, uma vez que vinham de um país tão rico. Uma vergonha.
Então Vasquinho traçou um plano bem coerente com seu caráter. Passou a saquear as embarcações que cruzavam o oceano Indico e pegava essas mercadorias roubadas e ia comercializar na região. Durante a viagem de volta à Portugal, Vasquinho fez uma escala na ilha de Cabo Verde, na África, pra cuidar do irmão doente, que morreu logo depois.
Ao chegar a Lisboa, em setembro de 1499, numa caravela fretada em Cabo Verde, foi recebido como herói nacional. Ganhou título de almirante, propriedades e uma pensão generosa. Três anos depois voltou a Índia com uma esquadra de vinte navios e enriqueceu roubando mercadores árabes e indianos que encontrou pelo caminho.
Isso, lógico, não está registrado nos livros didaticos que ensinam a história das grandes navegações às crianças, mas Vasquinho tratou seus prisioneiros com uma crueldade enorme, enviando cestos com suas cabeças decepadas às famílias desses homens, nas cidades costeiras. Num episódio marcado por um barbarismo enorme, Vasquinho queimou um navio lotado de peregrinos muçulmanos no Oceano Indico. Lá dentro, queimados, morreram 240 homens, mulheres e crianças.
Aí depois o gente boa do Pedro Alvares Cabral, após sair do Brasil, seguiu o mesmo caminho de Vasquinho e bombardeou a Índia, matando mais de 400 pessoas na cidade de calicute. Enfim, Eurico e Vasco da Gama, dois nomes de quem nos devemos ter um orgulho enorme. Onde o Vasco está, estão também os roubos, mentiras e safadezas. E por mais que pareça, nada escrito acima é fruto da minha imaginação. É a mais pura verdade.
Fabiano Holanda, maio de 2008, Mississauga, ON.

