Nos tempos
antigos, tudo que uma família consumia era fruto do que ela produzia. Digamos
que essa família tinha um terreno e beleza tinha vacas, galinhas, ovelhas, milho,
laranja, verduras e capim. Consumiam o leite da vaca, seu couro e sua carne. Da
ovelha comiam a carne e faziam casacos. Com o milho comiam e davam pras galinhas
e delas comiam os ovos e sua carne. E assim por diante.
Com
o passar do tempo, e suas habilidades foram aumentando com a prática,
perceberam que tinham mais habilidade em fazer casacos do que seus vizinhos e
no final tinham mais casacos do que consumiam. Esse excedente não servia pra
eles, então o que fazer? Ora, o vizinho do lado aprendera a fabricar sapatos
com o couro do boi. A primeira família não sabia fazer sapatos. Mas tinham
casacos que o vizinho dos sapatos não tinha.
A
primeira família foi na casa do vizinho e disse : “Oi amigo, eu tenho um casaco
aqui sobrando. Você tem um sapato aí sobrando?”. O vizinho respondeu: “Um
casaco? Que interessante, eu não sei fazer um mas ele pode ter grande uso pra
mim. Quero trocar sim”.
Assim,
a primeira família passou a possuir um sapato e o vizinho passou a ter um
casaco, mesmo sem tê-los produzidos. Foi uma alegria geral. Logo a família
inteira estava calçada e a família do vizinho não estava mais passando frio,
mesmo sem ter produzido esses itens. O terceiro vizinho fazia chapéus e o
quarto fazia ferramentas. Logo as quatro famílias tinham casacos, sapatos,
ferramentas e chapéus, mesmo cada uma só fabricando uma coisa.
A
especialidade de cada família produziu um bem comum. A vida de cada família era
agora mais confortável. E cada vez mais esses produtos iam ficando mais
aprimorados e conseguiam produzi-los com um custo cada vez mais baixo. E a
ideia se espalhou por toda a aldeia. Quando pensavam em começar a produzir
algo, eles iam criar algo que não existia algum produtor ainda.
Até
que o sistema foi se aprimorando e começaram os questionamentos do tipo : “Acho
que meu casaco vale mais do que seu sapato”. “Ah não, minha ferramenta vale
mais do que seu casaco”. Como resolver isso? Foi então decidido que o valor de
cada produto seria dado pelo número de horas que era gasto pra produzi-lo. Se
demorava dez horas pra fazer um casaco e vinte horas pra fazer um sapato, cada
sapato valeria dois casacos.
Eu
não produzo pães, mas sei que tem um sujeito, que chamamos de padeiro, que
produz pães maravilhosos, frescos e saborosos. Eu sei onde ir pra conseguir
esse produto. Hoje já não uso minha produção pra comprar outra produção, eu uso
um negócio chamado dinheiro, que foi criado depois pra facilitar essas
transações comerciais.
Mas
o padeiro produz esse pão quentinho, fresco, cada vez mais saboroso, porque ele
é um cara legal e pensa no bem da comunidade? Pensa ele : “Vou produzir aqui
meu pão porque Fabiano gosta e meu objetivo maior é ver Fabiano feliz?”
Negativo.
Ele produz o pão pra poder ter o lucro dele. Pra poder ter o seu sustento ou
pra poder ficar rico e dar uma vida melhor pra família dele. É interesse dele
ter o pão ali disponível pra alguém comprar. É trabalho dele ir atrás de
comprar os ingredientes, de alugar um ponto comercial, de contratar
funcionários e o prêmio dele por ter feito tudo isso está no seu lucro.
Adam
Smith, o escocês pai da economia moderna diz que não há nada de errado nisso.
Pelo contrário. Esse suposto egoísmo do padeiro é que traz o bem-comum pra toda
uma sociedade. E se tiver dois padeiros no mesmo lugar, a tendência é eles
brigarem pra fazer um pão cada vez melhor e com um preço mais baixo, tanto pra
produzir quanto pra vender. O que beneficia o consumidor e novamente presta um
serviço ao bem-comum.
Isso
tudo que nós falamos até agora não teve a presença nefasta de um personagem que
onde mete as mãos, sika de fezes : O Estado! Agora, o governo quer que o pão
seja vendido à um preço que ele estabeleceu em uma tabela, barateando o pão
para que supostamente toda a população possa comprar. O que isso vai causar? Ou
os padeiros irão parar de fabricar os pães pois não valerá a pena ou os pães
irão cair bastante na sua qualidade final.
Sem
interferir no mercado, o máximo que o estado poderia fazer seria a criação de
vale-pães pros menos abastados, sem que isso interferisse no mercado de pães diretamente.
O mercado se regularia através do que Smith chamou de a mão invisível.
Buscando
o bem-estar comum, esse padeiro vai empregar um certo número de funcionários,
que alimentarão suas famílias e não precisarão desses vale-pão que o governo ofertaria
aos mais desfavorecidos. Através do recolhimento de impostos feito junto à esse
padeiro, o estado seria uma espécie de sócio do padeiro, pois recebe sua parte
nos impostos.
O
padeiro, além de saciar sua fome, ajuda a empregar funcionários, desonerando o
estado e pelo contrário, esses funcionários pagam impostos sobre suas rendas
(se não forem isentos), assim como o padeiro, aumento a receita do estado. É
uma situação onde todos ganham.
Mas
o que o comunista desgraçado quer? Como ele é um preguiçoso imundo, ele nunca
quis, não quer e bunda vai querer trabalhar na vida. E quando vê alguém
trabalhando, ele tem que ir atrapalhar isso. Tipo se eu não faço, você também
não faz. Ele baseado em Karl Marx, vai no funcionário, como o diabo vai no
ouvido das pessoas e os convence de que eles estão sendo explorados. Que eles
devem ter o mesmo lucro do dono da padaria.
O
outro idiota acredita, porque nunca fez a gestão de nada e tudo cai por terra.
A padaria fecha, o governo para de receber impostos, passa a ter que sustentar essas
feras e aquela localidade vai pro brejo. Tudo isso porque um preguiçoso mal intencionado.
A primeira etapa de um estudo sério sobre economia é fazer um paralelo entre o Deus
do capitalismo e o diabo do comunismo. Adam Smith versus Karl Marx. Se depois de
ler os dois você ainda optar pelo segundo, me faça um favor, não chegue perto de
mim.
Fabiano Holanda, abril
de 2008, Mississauga, ON.

No comments:
Post a Comment