Desde
que eu me entendo por gente, sou apaixonado pelos Estados Unidos da América. Lembro
com muita clareza do melhor presente de Natal que ganhei do meu pai enquanto
era criança. Um forte apache. Tratava-se de um grande brinquedo, dentro de uma
grande caixa. Vinha um forte pra ser montado com suas quatro paredes. Uma vez
montado, você ia começar a organizar os bonecos. Tinha cavalos, a cavalaria e
os índios. A criança daquela época não entendia nada, mas achava o máximo o
exército e também os índios. O negócio era armar o exército americano dentro do
forte e os índios vinham de fora tentando atacar e conquistar o forte. Brinquei
com meu irmão por meses à fio, todos os dias. Claro, eu como mais velho
escolhia : era sempre os azuis, os americanos e meu irmão sempre os vermelhos,
os índios.
Quando
cresci um pouco, sempre com meu irmão, ficamos fãs de um seriado de TV chamado
Chips. Tinha um galego chamado John Baker e seu parceiro chamado Frank Poncherello.
Eram patrulheiros rodoviários que patrulhavam as estradas da Califórnia. Tudo
aquilo me fascinava. A farda, as motocicletas (Kawasakis), as estradas, as
paisagens, a forma como a vida lá era vivida.
Já
estava combinado com a menina que trabalhava lá em casa. Na hora do seriado,
era a hora do lanche no final da tarde. Todos os dias tinha um hambúrguer pra
cada, com Ketchup e um copo de mill shake de chocolate. Nada mais americano do
que isso.
Eu
via nos filmes aquelas meninas e meninos entrando numa sorveteira e pedindo um Milk
shake. Era como se eu tivesse ali. Nos filmes aqueles caras suados com uma
toalha no ombro fazendo hambúrgueres na chapa e jogando nos pães.
Os
carros, as roupas, a música, os filmes, as comidas, as casas sem muros, as
gramas sempre verdes, o poderoso exército, o dólar, hot dog, pipoca, Coca cola,
era tudo um sonho pra mim.
Mas
tudo isso era contido. Só ficou euforia mesmo de ir embora do Brasil pra morar
mesmo nos Estados Unidos foi quando eu comecei assistir a saga dos irmãos
Brandon e Brenda Wash. Seu pai havia sido transferido pra morar em Beverly Hills
na Califórnia. Aquilo sim é que era vida. Como podia existir uma escola daquelas?
E as festas? As meninas? Os carros?
Tudo
que caía nas minhas mãos sobre os Estados Unidos eu lia e guardava. Chuck Berry
e Little Richard eram dois negros americanos que eu idolatrava. Hoje acredito
que o amor e o conhecimento que eu tinha acerca da cultura americana me blindaram
contra toda influência nefasta esquerdista. Eu sempre quis estar no time vencedor
e os Estados Unidos eram os vencedores. Porque sempre gostavam de admirar o que
deu errado?
Acho
que uma das maiores emoções que senti foi quando já adulto coloquei os pés no aeroporto
John Fitzgerald Kennedy em New York City pela prometia. NYC foi o primeiro solo
americano onde pisei. Morar em Boston por três meses em 2003 foi uma coisa tão boa
que eu nem ligava de estar trabalhando muito. Eu respirava os ares daquele lugar
pra mim já era o máximo.
Pra mim,
depois de conhecer, eu afirmo que uma das melhores invenções do americano é o Philly
Cheesesteak. Um sanduíche que fazem com lagarto e queijo, dentro de um pão com maionese.
E já comi o da Philadelphia mesmo, quando fui lá certa feita visitar meu amigo Vivaldo.
O Philly’s feito na Philadelphia!
Cada
cidade que fui na América tem seu charme, sua limpeza, sua organização, suas bandeiras
patriotas balançando na frente das casas. Se um dia o Brasil chegar à dez por cento
do que é a América, eu não queria mais nada. Ô lugar porreta!!
Fabiano Holanda, Março
de 2008, Mississauga, ON.

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