Tuesday, 6 October 2020

América

Fatos não deiam de ser existir porque são ignorados”

Aldous Huxley

Em um texto de agosto de 2003 eu já havia falado um pouco desse negócio da cultura do antiamericanismo no Brasil. Chegou a data de eu escrever outro texto pra minha querida confraria Best-Seller e apelei para o que chamo de “maior preocupação de minha mente nas últimas semanas”. E me veio de novo esse tema.

Estive no Brasil de férias agora no final de dezembro de 2003 e começo desse janeiro de 2004 e o que escutei pelos papos e conversas é que cada vez mais o discurso comum é de ódio ao país mais rico do mundo.

E o problema maior que consigo enxergar é que esse sentimento antiamericano não está arraigado somente nas cabeças podres e cansadas dos velhos intelectuais brasileiros. Faz parte também e de maneira mais forte ainda, dos discursos de nossa juventude. O que significa dizer que no futuro o problema será maior ainda.

Na época dos atentados às torres gêmeas, foi feita uma pesquisa em um colegio carioca, cuja mensalidade era de aproximadamente 900 reais por mês (classe média alta). O resultado foi esmagador: todos disseram que era bem feito os EUA receberem aqueles ataques, afinal, quem eles pensam que são?

Leonard Boff, o grande filósofo do governo Lula, latiu na ocasião do 11 de setembro: “Acho muito pouco cair um avião sobre o Pentágono. Deveriam cair 25 aviões. É preciso destruir o Pentágono todo”. E olhe que isso não foi um escorregão retórico, a tese foi por ele defendida “racionalmente” mais adiante, colocando o Pentágono e as torres do WTC como símbolos de um sistema que precisa ser destruído!!

Mas o mais engraçado é que, de acordo com os números oficiais, percebo que 60% do comércio externo brasileiro é feito com o grande safado mundial, os EUA. Aquele mesmo lugar que “gênios da raça”, como o senhor Boff, querem que seja destruído.

De acordo com o panorama que tristemente assisto, arrisco-me a propor duas teorias não excludentes que talvez possam explicar esse ódio todo aos cidadãos americanos, seja ele político, lavador de carros, garçom ou ator de filme pornô

A primeira teoria eu achei nos meus recentes estudos de psicologia. Sigmund Freud diz que o bebê possui uma relação de amor e ódio com a pessoa que o alimenta, isto é, a mãe. Quando ele está faminto e ela o alimenta, ele fica extremamente satisfeito pois sua zona erógena nessa fase é a boca. Porém, quando ele sente dor ou quer alguma coisa e a mãe não entende ou não sabe o que ele quer e não consegue satisfazê-lo, Freud alega que o ódio que ele sente por ela é extremamente alto, mas acaba no exato momento em que a mãe consegue ajudá-lo mais uma vez, aí o amor volta de forma extrema outra vez.

Assim, tanto o Brasil quanto o Canadá são dois bebês chorões, que não sabem o que querem e nem sabem dizer o que pensam que querem e vivem às turras com que os alimenta. O Canadá mais ainda. Mas no Brasil agora com esse governo lulista, eles tem vergonha de dizer obrigado ou pelo menos serem cordiais e só sabem odiar, xingar e inflar o peito e dizer: “somos pobres, somos burros, mas somos os machões”. Fanfarrões, diria eu.

A segunda teoria, complementar a esta, não tem nada de lúdica e nem é bonita de ser vista ou de se contar. Trata-se de uma teoria macabra de dominação que tem dado certo e muito, em locais onde a vacuidade mental impera.

Mas, antes de demonstrar essa segunda teoria, gostaria de mostrar os primórdios dessa moda anti-americana. Desde algum tempo, os Estados Unidos da América exercem uma fascinação sobre as cabeças de muitos jovens, espalhados no mundo inteiro. Porém, na França, já no fim dos anos 20 e começo dos anos 30 do século passado, o antiamericanismo começa a se desenvolver na classe dominante daquele país, mas precisamente entre os “intelectuais”. E assim, portanto, as obras críticas e ensaios teóricos contra os Estados Unidos se tornaram abundantes nessa data.

Os autores, na sua maioria com inspirações marxistas, socialistas ou comunistas, eram “iluminados” pela revolução soviética e estavam certos de que um crescimento dos Estados Unidos seria uma ameaça à Europa e por consequencia, à França.

O Antiamericanismo se desenvovleu a partir da direta francesa e muitos dos que exprimiam as críticas mais virulentas à sociedade americana se associariam mais tarde aos movimentos fascistas.

Dando um salto aos dias de hoje, vemos que os antiamericanos provém de vários grupos. Alguns tem ranço de orientação político-ideológica, poden ser comunistas com 15 anos de queda do mro de Berlim, ou do Leste europeu e com o fim da URSS atravessados na garganta. Podem ser tamém nazistas inconformados com a derrota da II Guerra Mundial e ate ranços de orientação político-religiosa, como os fundamentalistas árabes.

Assim, me pergunto, será que desde os direitistas da França (loucos e impotentes pois a França já não era a potencia de outrora) até os políticos ideológicos (com razão, pois viram seus regimes caírem e não funcionarem), incluindo os fundamentalistas árabes, onde se encaixa o Brasil?

Na teoria, me pergunto, pois na prática eu já sei.

Pelo amor de Deus!! Será possível que uma minoria “sobrevivente” do período militar conseguiu tanto? Será que eles de fato conseguiram empurrar goela abaixo do povo brasileiro que nós estaríamos melhor se fossemos inimigos dos Estados Unidos, afinal são aqueles facínoras que financiaram a contrarevolução militar no Brasil e que afundou o socialismo no planeta?

Ora, pensemos nisso. Em que eles se baseiam, quais os argumentos para tanto ódio?

Eles se baseiam em duas premissas para gerarem tanto ódio contra os Estados Unidos. Promeiro, eles alegam que os Estados Unidos são igual ao Cérebro, aquele rato que quer conquistar o mundo. Dizem que eles jogam War sem objetivo. E segundo, alegam que eles são uma nação que depende da miséria de outras nações para sobreviver.

É inacreditável como tem gente que acredita nisso. Aposto meu suado dinheirinho que toda essa lista de antiamericanos nunca se deram ao trabalho de ler uma nota sequer sobre a história daquele país, quem dirá um livro ou apostila que seja. Quando leem um pouco sobre os Estados Unidos, se utilizam da Carta Capital.

É engraçado que quando desejamos falar mal de alguém ou algo, nunca colocamos à disposição dados e informações importantes como essas:

  • Que os Estados Unidos são o país que mais cocnedeu auxílio financeiro a outros países e instituições em toda a historia?

- Que não somente auxílio financeiro, concedeu também mais ajuda humanitária que qualquer outro país, tanto seu governo quanto instiuições privadas ou sem fins lucrativos?

- Que é o país que mais deu abrigo a perseguidos politicos?

- Que é o país onde os direitos das minorias ganham de longe daqueles observados na maioria dos outros países?

- Que é um país com extensa legislação democrática onde os cargos eletivos passam de 500 mil postos?

Quando se está no topo, sempre surgirão muitos querendo esse posto. E suas armas serão sempre inescrupulosas, como mentiras, distorções, e etc, afinal, não são os canhotos imundos que adoram a máximo de que “os fins justuficam os meios”?

E isso não é de hoje. É desde que o mundo é mundo. Vamos ver alguns exemplos. No início do século passado, já começavam as organizações contra a instituição Estados Unidos. Em 1921, houve uma manifestação mundial pela libertação de dois anarquistas italianos presos nos Estados Unidos, chamados Sacco e Vanzetti.

Eles foram acusados de assassinato durante um assalto a um banco de uma companhia de mineração no dia do pagamento dos empregados, que resultara na morte de três pessoas após intenso tiroteio. Isso se deu no estado de Massachussets. Então foram capturados e condenados à morte. A partir daí, iniciou-se um movimento mundial pela libertação desses anjinhos, impulsionado pela esquerda.

Só para se ter uma idéia do que os anarquistas gostavam de fazer, eles mataram três grandes líderes mundiais em um período de 25 anos. A ordem do dia era atacar a atentar contra a vida dos representantes do “capitalismo internacional”. Explodiram o Czar Alexandre II, que abolira a servidão na Rússia. Em 1880 mataram a imperatriz Sissi a facadas e para o presidente McKinley, dos Estados Unidos, usaram tiros de revólver, em 1904.

Mas o mais engraçado foi que, em uma época em que os anarquistas eram vistos como verdadeiros “agentes do caos”, ou anjinhos políticos da morte, o fato dos dois italianos assassinos serem filiados a movimentos anarquistas, serviu para atiçar o cinismo dos movimentos organizados e numa tentativa de reverter os assassinatos em “perseguição política” e “preconceito” contra pobres “militantes inocentes”.

Mesmo após terem sido julgados e condenados, o movimento pela libertação dos marginais crescia em pelo menos 6 outros paises, principalmente na França. E no momento que a condenação veio, os movimentos operários, em plena ebulição na Alemanha, Hungria e com a recente vitória na Uniao Soviética, no espasmo político convulsivo do entre-guerras, passaram a hostilizar os Estados Unidos como sendo o cabeça da “conspiração capitalista mundial”.

E eles faziam o mesmo que os canalhas fazem nos dias de hoje, se aproveitando da boa situação dos Estados Unidos. Eles diziam que em um país tão rico e desenvolvido, vencedor da guerra, onde as coisas funcionavam, logicamente não poderia existir justiça para o pobre trabalhador.

É de dar risadas...

Tais assertivas provocam tanto riso hoje quanto provocaram na época em pessoas com o mínimo de cérebro e honestidade, mas a moda pegou. Cada vez mais os movimentos organizados dos esquerdinhas de plantão centram fogo na figura dos Estados Unidos. São os filhos de Gramsci. Em qualquer situação, querem colar nos Estados Unidos a culpa por toda crise ou catástrofe mundial.

De lá pra cá, em se tratando de inconsequencia e vícios análiticos não mudou muita coisa. Quanto a Sacco e Vanzetti, todas as tentativas de absolvê-los se mostraram inúteis. As provas reunidas foram incontestáveis. Os Estados Unidos não recuaram diante do barulho dessa verdadeira máfia mundial. Espero que continuem assim, arcando com as consequencias mas não cedendo aos interesses de quem quer sua derrocada.

E nós do Brasil temos a oportunidade de escolher um lado para estar. Mais uma vez, estamos tendo outra chance. E estamos optando por estar ao lado de países inimigos declarados da democracia e da eficiência econômica. Parabéns para nós, que votamos tão bem, nesse cramulhão chamado Lula. E ainda ficamos putos com Pelé quando ele disse que o brasileiro não sabia votar. Pelé estava errado?

E como dizia o grande filósofo popular: “prestem atenção que tem gente vigiando a gente”. E mesmo não ventando a roseira balança...

Escrito em Montréal, em Janeiro de 2004.

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