“Fatos
não deiam de ser existir porque são ignorados”
Aldous
Huxley
Em um texto de agosto de 2003 eu já havia
falado um pouco desse negócio da cultura do antiamericanismo no
Brasil. Chegou a data de eu escrever outro texto pra minha querida
confraria Best-Seller e apelei para o que chamo de “maior
preocupação de minha mente nas últimas semanas”. E me veio de
novo esse tema.
Estive no Brasil de férias agora no final de
dezembro de 2003 e começo desse janeiro de 2004 e o que escutei
pelos papos e conversas é que cada vez mais o discurso comum é de
ódio ao país mais rico do mundo.
E o problema maior que consigo enxergar é que
esse sentimento antiamericano não está arraigado somente nas
cabeças podres e cansadas dos velhos intelectuais brasileiros. Faz
parte também e de maneira mais forte ainda, dos discursos de nossa
juventude. O que significa dizer que no futuro o problema será maior
ainda.
Na época dos atentados às torres gêmeas, foi
feita uma pesquisa em um colegio carioca, cuja mensalidade era de
aproximadamente 900 reais por mês (classe média alta). O resultado
foi esmagador: todos disseram que era bem feito os EUA receberem
aqueles ataques, afinal, quem eles pensam que são?
Leonard Boff, o grande filósofo do governo
Lula, latiu na ocasião do 11 de setembro: “Acho muito pouco cair
um avião sobre o Pentágono. Deveriam cair 25 aviões. É preciso
destruir o Pentágono todo”. E olhe que isso não foi um escorregão
retórico, a tese foi por ele defendida “racionalmente” mais
adiante, colocando o Pentágono e as torres do WTC como símbolos de
um sistema que precisa ser destruído!!
Mas o mais engraçado é que, de acordo com os
números oficiais, percebo que 60% do comércio externo brasileiro é
feito com o grande safado mundial, os EUA. Aquele mesmo lugar que
“gênios da raça”, como o senhor Boff, querem que seja
destruído.
De acordo com o panorama que tristemente
assisto, arrisco-me a propor duas teorias não excludentes que talvez
possam explicar esse ódio todo aos cidadãos americanos, seja ele
político, lavador de carros, garçom ou ator de filme pornô
A primeira teoria eu achei nos meus recentes
estudos de psicologia. Sigmund Freud diz que o bebê possui uma
relação de amor e ódio com a pessoa que o alimenta, isto é, a
mãe. Quando ele está faminto e ela o alimenta, ele fica
extremamente satisfeito pois sua zona erógena nessa fase é a boca.
Porém, quando ele sente dor ou quer alguma coisa e a mãe não
entende ou não sabe o que ele quer e não consegue satisfazê-lo,
Freud alega que o ódio que ele sente por ela é extremamente alto,
mas acaba no exato momento em que a mãe consegue ajudá-lo mais uma
vez, aí o amor volta de forma extrema outra vez.
Assim, tanto o Brasil quanto o Canadá são
dois bebês chorões, que não sabem o que querem e nem sabem dizer o
que pensam que querem e vivem às turras com que os alimenta. O
Canadá mais ainda. Mas no Brasil agora com esse governo lulista,
eles tem vergonha de dizer obrigado ou pelo menos serem cordiais e só
sabem odiar, xingar e inflar o peito e dizer: “somos pobres, somos
burros, mas somos os machões”. Fanfarrões, diria eu.
A segunda teoria, complementar a esta, não tem
nada de lúdica e nem é bonita de ser vista ou de se contar.
Trata-se de uma teoria macabra de dominação que tem dado certo e
muito, em locais onde a vacuidade mental impera.
Mas, antes de demonstrar essa segunda teoria,
gostaria de mostrar os primórdios dessa moda anti-americana. Desde
algum tempo, os Estados Unidos da América exercem uma fascinação
sobre as cabeças de muitos jovens, espalhados no mundo inteiro.
Porém, na França, já no fim dos anos 20 e começo dos anos 30 do
século passado, o antiamericanismo começa a se desenvolver na
classe dominante daquele país, mas precisamente entre os
“intelectuais”. E assim, portanto, as obras críticas e ensaios
teóricos contra os Estados Unidos se tornaram abundantes nessa data.
Os autores, na sua maioria com inspirações
marxistas, socialistas ou comunistas, eram “iluminados” pela
revolução soviética e estavam certos de que um crescimento dos
Estados Unidos seria uma ameaça à Europa e por consequencia, à
França.
O Antiamericanismo se desenvovleu a partir da
direta francesa e muitos dos que exprimiam as críticas mais
virulentas à sociedade americana se associariam mais tarde aos
movimentos fascistas.
Dando um salto aos dias de hoje, vemos que os
antiamericanos provém de vários grupos. Alguns tem ranço de
orientação político-ideológica, poden ser comunistas com 15 anos
de queda do mro de Berlim, ou do Leste europeu e com o fim da URSS
atravessados na garganta. Podem ser tamém nazistas inconformados com
a derrota da II Guerra Mundial e ate ranços de orientação
político-religiosa, como os fundamentalistas árabes.
Assim, me pergunto, será que desde os
direitistas da França (loucos e impotentes pois a França já não
era a potencia de outrora) até os políticos ideológicos (com
razão, pois viram seus regimes caírem e não funcionarem),
incluindo os fundamentalistas árabes, onde se encaixa o Brasil?
Na teoria, me pergunto, pois na prática eu já
sei.
Pelo amor de Deus!! Será possível que uma
minoria “sobrevivente” do período militar conseguiu tanto? Será
que eles de fato conseguiram empurrar goela abaixo do povo brasileiro
que nós estaríamos melhor se fossemos inimigos dos Estados Unidos,
afinal são aqueles facínoras que financiaram a contrarevolução
militar no Brasil e que afundou o socialismo no planeta?
Ora, pensemos nisso. Em que eles se baseiam,
quais os argumentos para tanto ódio?
Eles se baseiam em duas premissas para gerarem
tanto ódio contra os Estados Unidos. Promeiro, eles alegam que os
Estados Unidos são igual ao Cérebro, aquele rato que quer
conquistar o mundo. Dizem que eles jogam War sem objetivo. E segundo,
alegam que eles são uma nação que depende da miséria de outras
nações para sobreviver.
É inacreditável como tem gente que acredita
nisso. Aposto meu suado dinheirinho que toda essa lista de
antiamericanos nunca se deram ao trabalho de ler uma nota sequer
sobre a história daquele país, quem dirá um livro ou apostila que
seja. Quando leem um pouco sobre os Estados Unidos, se utilizam da
Carta Capital.
É engraçado que quando desejamos falar mal de
alguém ou algo, nunca colocamos à disposição dados e informações
importantes como essas:
- Que os Estados Unidos são o país que mais cocnedeu auxílio financeiro a outros países e instituições em toda a historia?
- Que não somente auxílio financeiro,
concedeu também mais ajuda humanitária que qualquer outro país,
tanto seu governo quanto instiuições privadas ou sem fins
lucrativos?
- Que é o país que mais deu abrigo a
perseguidos politicos?
- Que é o país onde os direitos das minorias
ganham de longe daqueles observados na maioria dos outros países?
- Que é um país com extensa legislação
democrática onde os cargos eletivos passam de 500 mil postos?
Quando se está no topo, sempre surgirão
muitos querendo esse posto. E suas armas serão sempre
inescrupulosas, como mentiras, distorções, e etc, afinal, não são
os canhotos imundos que adoram a máximo de que “os fins justuficam
os meios”?
E isso não é de hoje. É desde que o mundo é
mundo. Vamos ver alguns exemplos. No início do século passado, já
começavam as organizações contra a instituição Estados Unidos.
Em 1921, houve uma manifestação mundial pela libertação de dois
anarquistas italianos presos nos Estados Unidos, chamados Sacco e
Vanzetti.
Eles foram acusados de assassinato durante um
assalto a um banco de uma companhia de mineração no dia do
pagamento dos empregados, que resultara na morte de três pessoas
após intenso tiroteio. Isso se deu no estado de Massachussets. Então
foram capturados e condenados à morte. A partir daí, iniciou-se um
movimento mundial pela libertação desses anjinhos, impulsionado
pela esquerda.
Só para se ter uma idéia do que os
anarquistas gostavam de fazer, eles mataram três grandes líderes
mundiais em um período de 25 anos. A ordem do dia era atacar a
atentar contra a vida dos representantes do “capitalismo
internacional”. Explodiram o Czar Alexandre II, que abolira a
servidão na Rússia. Em 1880 mataram a imperatriz Sissi a facadas e
para o presidente McKinley, dos Estados Unidos, usaram tiros de
revólver, em 1904.
Mas o mais engraçado foi que, em uma época em
que os anarquistas eram vistos como verdadeiros “agentes do caos”,
ou anjinhos políticos da morte, o fato dos dois italianos assassinos
serem filiados a movimentos anarquistas, serviu para atiçar o
cinismo dos movimentos organizados e numa tentativa de reverter os
assassinatos em “perseguição política” e “preconceito”
contra pobres “militantes inocentes”.
Mesmo após terem sido julgados e condenados, o
movimento pela libertação dos marginais crescia em pelo menos 6
outros paises, principalmente na França. E no momento que a
condenação veio, os movimentos operários, em plena ebulição na
Alemanha, Hungria e com a recente vitória na Uniao Soviética, no
espasmo político convulsivo do entre-guerras, passaram a hostilizar
os Estados Unidos como sendo o cabeça da “conspiração
capitalista mundial”.
E eles faziam o mesmo que os canalhas fazem nos
dias de hoje, se aproveitando da boa situação dos Estados Unidos.
Eles diziam que em um país tão rico e desenvolvido, vencedor da
guerra, onde as coisas funcionavam, logicamente não poderia existir
justiça para o pobre trabalhador.
É de dar risadas...
Tais assertivas provocam tanto riso hoje quanto
provocaram na época em pessoas com o mínimo de cérebro e
honestidade, mas a moda pegou. Cada vez mais os movimentos
organizados dos esquerdinhas de plantão centram fogo na figura dos
Estados Unidos. São os filhos de Gramsci. Em qualquer situação,
querem colar nos Estados Unidos a culpa por toda crise ou catástrofe
mundial.
De lá pra cá, em se tratando de
inconsequencia e vícios análiticos não mudou muita coisa. Quanto a
Sacco e Vanzetti, todas as tentativas de absolvê-los se mostraram
inúteis. As provas reunidas foram incontestáveis. Os Estados Unidos
não recuaram diante do barulho dessa verdadeira máfia mundial.
Espero que continuem assim, arcando com as consequencias mas não
cedendo aos interesses de quem quer sua derrocada.
E nós do Brasil temos a oportunidade de
escolher um lado para estar. Mais uma vez, estamos tendo outra
chance. E estamos optando por estar ao lado de países inimigos
declarados da democracia e da eficiência econômica. Parabéns para
nós, que votamos tão bem, nesse cramulhão chamado Lula. E ainda
ficamos putos com Pelé quando ele disse que o brasileiro não sabia
votar. Pelé estava errado?
E como dizia o grande filósofo popular:
“prestem atenção que tem gente vigiando a gente”. E mesmo não
ventando a roseira balança...
Escrito em Montréal, em Janeiro de 2004.

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