“O
Brasil precisa parar de admirar o que não deu certo.”
Tom
Jobim
Existem
muitas raças espalhadas por essa maravilhosa terra que Deus nos deu,
que fazem despertar um ódio, mesmo que passageiro, dentro da minha
fraca cabecinha. Primeiro os mais óbvios e comuns à todos os homens
de bem: estupradores, ladrões, hipócritas, sequestradores, etc.
Em
segundo lugar estão os mentirosos e burros e não falo dos animais,
raça tão prestativa, falo dos energúmenos mesmo. Falemos desses
dois últimos, pois o primeiro grupo não é necessário, é self
explanatory.
No
Brasil, existe um misto de mentira e burrice que é um dos nossos
maiores males, depois lógico da corrupção, este último sendo
maior do que qualquer sistema político ou econômico. Em outras
palavras, se não fosse a corrupção no Brasil, estaríamos muito
melhor, independente do sistema adotado.
Mas
que essa combinação explosiva de mentira e burrice nos tem dado um
trabalho danado, isso tem. A ala dos mentirosos é composta pelos
falsários que continuam a propagar os preceitos socialistas de
outrora, em uma clara posição de destruição e difamação ao
capitalismo e tudo o que ele representa (leia-se Estados Unidos da
América), mesmo sabendo que está difícil continuar com essa linha
de pensamento. Eles ignoram solenemente a queda do Muro de Berlim. A
maioria deles se encontra trabalhando nas redações dos jornais e
nas universidades.
A
ala dos burros é composta em sua grande maioria pelos estudantes e
“metidos” a sabidos. Geralmente eles lêem a revista Caros
Amigos e tem na sua idolatria máxima pessoas como o senhor Elio
Gaspari, José Arbex Júnior e o cínico do Emir Adad.
Os
mentirosos e os burros possuem um ponto em comum, além do desejo de
se parecer inteligentes: ambos os grupos são dogmáticos e odeiam o
pensamento crítico, pois antes de tudo, se trata de um pensamento
livre.
O
sábio karl Popper diz que é necessário diferenciar os pensamentos
críticos dos pensamentos dogmáticos. O pensamento dogmático, além
de ter matado, perseguido, prendido e torturado, ele recusa-se a
aprender e repele o novo, pois enxerga no novo uma grande ameaça
para sua postura imóvel.
O
Brasil, como todo país carente e com tendências para o surrealismo,
utiliza-se largamente do pensamento dogmático em seu cabedal
intelectual.
No
Brasil, tem-se o estranho hábito de se entusiasmarem com discursos
vazios, porém bonitos e humanitários. O Programa Fome Zero é
um dos melhores indicadores do que falo neste momento. Falta ao povo
brasileiro lucidez e por mais que digam o contrário, somos também
um povo crédulo até a médula. Uns malandros otários. Como
acreditar num programa desses? Só mesmo uma dose cavalar de
inocência.
Essa
história de que o povo brasileiro é malandro é a mais pura
falácia. Somos sim um dos povos mais otários e inocentes dese vasto
planeta. Imagino um bando de bois indo pro matadouro, mudos e sabendo
que vão se dar mal. Mas continuam indo...
O
pensamento dogmático é baseado em mentiras e tão somente em
mentiras, pois se falarem suas verdades, irão assustar aqueles cujas
expectativas não poderão jamais serem desesperançadas. E as
mentiras vem aos borbotões e quem ousar desconfiar delas, recebe
logo um sonoro título de “não possuidor de massa crítica”,
em uma inversão clara sobre quem realmente não possui massa
crítica.
De
um lado estão os lobos e do outro os pobres cordeirinhos. E quem não
estiver nesse triste balé que não permite críticos, é ignorado,
esculhambado e xingado, em uma clara tentativa de desacreditar esse
indivíduo.
Chega
a ser engraçado algumas reações da nossa intelligentzia.
Vejamos alguns exemplos: os intelectuais brazucas e os gloriosos
homens de esquerda possuem um verdadeiro pavor às empresas
multinacionais, em uma discussão emocional e desinformada.
A
raiva que eles possuem desse tipo de empresa é porque os idiotas
acreditam que foram criadas nos Estados Unidos, destinada à projetar
o seu poderio econômico, servindo as vezes como instrumento de
pressão política. Mas na realidade, foram os países de mercado
pequeno, como Suíça e Suécia que se empenharam em diversificar
seus mercados em base multinacional, pois se fosse depender apenas
dos mercados internos, estariam em maus lençóis.
Acontece
que, em 1989, com a queda do Muro de Berlim, o mundo inteiro,
principalmente os soviéticos, tiveram a constatação de alguns
preceitos básicos como:
1
– Sem lucro não há eficiência de gestão;
2
– Sem incentivos individuais destrói-se a ética do trabalho;
3
– Sem o direito à propriedade o agricultor tem pouco animo para
produzir;
4
– Sem os preços formados no mercado e não ditados pelo burocrata,
os recursos são desperdiçados e o consumidor fica frustrado no fim;
5
– Que o socialismo é compatível com a tirania política e
incompatível com a eficiência econômica.
O
mundo inteiro comprovou isso, menos o Brasil e mais alguns países
péssimos alunos e pobretões espalhados por aí. Quatorze anos
depois desse fato, ainda não conseguimos passar de ano nos discursos
intelectuais.
Este
enorme ocorrido, talvez um dos mais importantes do século passado,
que dissipou de vez a idéia da existência de um paraíso criado
pelas ditaduras do proletariado, foi deliberadamente posto de lado
pelas nossas cabeças “pensantes”. E isso desmascara também
outro artíficio utilizado por essa canalha, ou seja, a
superimportancia dada a alguns eventos e o proposital esquecimento de
outros.
Nesse
caminho de flores, assim como a União Soviética e Cuba, a frança
também é combustível e fonte de inspiração de ideologias
sinistras. Então, porque não criar uma áurea brilhante e canônica
para este evento, que sem precedentes em quantificação de
valorização, foi tão sobre estimado em seus feitos e tão
subestimados em seus custos: A revolução francesa.
Na
Alemanha, tivemos a reforma protestante, iniciada por Lutero, que
teve consequencias muito mais proveitosas, na minha opinião, pois
provocou o questionamento do dogma religioso, despertou o sentimento
de livre inquirição, libertou os indivíduos para o contato com a
divindade e fez com que a pobreza deixasse de ser uma coisa sacra. Em
resumo, abriu caminho para o empirismo científico e para o
capitalismo. Mas a Alemanha mata seus próprios cidadãos? Não?
Então não serve de modelo para os intelectuais brasileiros.
Na
Inglaterra, em 1215, com a Carta Magna, eles limitaram o poder do
princípe, afirmaram o direito dos cidadãos e deceparam a cabeça de
um rei em 1649 e com a Revolução Gloriosa de 1689, um século antes
da Revolução Francesa, os ingleses afirmaram os direitos do
parlamento (teoricamente do povo) contra o monarca, nascendo daí o
parlamentarismo democrático. E a Inglaterra mata seus próprios
cidadãos? Não? Então não serve de modelo pros intelectuais
brasileiros.
Nos
Estados Unidos houve a Revolução Americana de 1776 e a Constituição
da Filadélfia de 1787, bem antes da queda da Bastilha e sem decepar
a cabeça de ninguém, os americanos proclamaram os direitos humanos
no Bill of Rights e inventaram, de quebra, um novo modelo de
democracia republicana que a Revolução Francesa não conseguiu
institucionalizar. E os Estados Unidos matam seus próprios cidadãos?
Não? Entao não serve de modelo para os intelectuais brasileiros.
Os
custos da Revolução Francesa foram enormes, inclusive de seres
humanos. Em 14 meses, mataram cerca de 17 mil contrários às idéias
dos Jacobinos. Outros custos foram econômicos: atraso na revolução
industrial e ruína do comércio marítimo. Mas, o maior custo de
Revolução Francesa foi ter sido a parteira do nacionalismo.
A
Revolução Francesa declarou o direito dos homens mas jamais os
praticou, pois só quase meio século depois foi que a França
descobriu a democracia. Essa Revolução foi inspiradora de várias
outras no planeta, inclusive na América Latina e suas revoluções
de merda, que nunca foram conhecidas por seu cunho democrático ou
por sua afeição aos direitos humanos.
E
a maior dificuldade dessa turma é esconder que o capitalismo
democrático é a forma política mais eficaz, até mesmo por
exclusão. Senão vejamos: o socialismo soviético contem dois
ingredientes nefastos, a máquina do terror e a ineficiência
econômica. O fundamentalismo islâmico e os experimentos ideológicos
do terceiro mundo só trouxeram pobreza e violência.
O
capitalismo democrático é a mais provável receita a misturar
satisfação social, eficiencia econômica e liberdade política. Em
outras palavras, desenvolvimento com liberdade. E onde encontramos
isso? Estados Unidos da América. Curiosamente o lugar do planeta
onde a canalha dita intelectual mais esculacha e quer destruir.
Curioso, não?
O
sindicato da burrice quer entender mais de socialismo do que Mikhail
Gorbatchev, que disse que “o socialismo não pode garantir
condições de vida e de consumo”.
É
triste e penoso assistir pessoas importantes se esforçando e
passando papel de ridículo para tentar explicar as benesses desse
tipo de sistema retrógrado e bastante falível.
E
Luís Inácio vai conseguindo cada vez mais, como bem disse Delfim
Netto, trazer a África e sua pobreza para a América Latina. E
agindo como agiota ao inverso, pegando dinheiro a 10% e emprestando a
5% e mesmo assim, acha pouco e ainda perdoa quem está devendo ao
milionário Brasil. Eita, que lambança! O negócio é que não
existe e nem nunca existirá almoço gratuito. A conta fatalmente um
dia chegará. E quem vai pagar? Talvez um dos pratos mais chics... O
pato!!!
Escrito
em Montréal, em novembro de 2003.

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