Tuesday, 6 October 2020

Inverdades nossas de cada dia

O Brasil precisa parar de admirar o que não deu certo.”

Tom Jobim

Existem muitas raças espalhadas por essa maravilhosa terra que Deus nos deu, que fazem despertar um ódio, mesmo que passageiro, dentro da minha fraca cabecinha. Primeiro os mais óbvios e comuns à todos os homens de bem: estupradores, ladrões, hipócritas, sequestradores, etc.

Em segundo lugar estão os mentirosos e burros e não falo dos animais, raça tão prestativa, falo dos energúmenos mesmo. Falemos desses dois últimos, pois o primeiro grupo não é necessário, é self explanatory.

No Brasil, existe um misto de mentira e burrice que é um dos nossos maiores males, depois lógico da corrupção, este último sendo maior do que qualquer sistema político ou econômico. Em outras palavras, se não fosse a corrupção no Brasil, estaríamos muito melhor, independente do sistema adotado.

Mas que essa combinação explosiva de mentira e burrice nos tem dado um trabalho danado, isso tem. A ala dos mentirosos é composta pelos falsários que continuam a propagar os preceitos socialistas de outrora, em uma clara posição de destruição e difamação ao capitalismo e tudo o que ele representa (leia-se Estados Unidos da América), mesmo sabendo que está difícil continuar com essa linha de pensamento. Eles ignoram solenemente a queda do Muro de Berlim. A maioria deles se encontra trabalhando nas redações dos jornais e nas universidades.

A ala dos burros é composta em sua grande maioria pelos estudantes e “metidos” a sabidos. Geralmente eles lêem a revista Caros Amigos e tem na sua idolatria máxima pessoas como o senhor Elio Gaspari, José Arbex Júnior e o cínico do Emir Adad.

Os mentirosos e os burros possuem um ponto em comum, além do desejo de se parecer inteligentes: ambos os grupos são dogmáticos e odeiam o pensamento crítico, pois antes de tudo, se trata de um pensamento livre.

O sábio karl Popper diz que é necessário diferenciar os pensamentos críticos dos pensamentos dogmáticos. O pensamento dogmático, além de ter matado, perseguido, prendido e torturado, ele recusa-se a aprender e repele o novo, pois enxerga no novo uma grande ameaça para sua postura imóvel.

O Brasil, como todo país carente e com tendências para o surrealismo, utiliza-se largamente do pensamento dogmático em seu cabedal intelectual.

No Brasil, tem-se o estranho hábito de se entusiasmarem com discursos vazios, porém bonitos e humanitários. O Programa Fome Zero é um dos melhores indicadores do que falo neste momento. Falta ao povo brasileiro lucidez e por mais que digam o contrário, somos também um povo crédulo até a médula. Uns malandros otários. Como acreditar num programa desses? Só mesmo uma dose cavalar de inocência.

Essa história de que o povo brasileiro é malandro é a mais pura falácia. Somos sim um dos povos mais otários e inocentes dese vasto planeta. Imagino um bando de bois indo pro matadouro, mudos e sabendo que vão se dar mal. Mas continuam indo...

O pensamento dogmático é baseado em mentiras e tão somente em mentiras, pois se falarem suas verdades, irão assustar aqueles cujas expectativas não poderão jamais serem desesperançadas. E as mentiras vem aos borbotões e quem ousar desconfiar delas, recebe logo um sonoro título de “não possuidor de massa crítica”, em uma inversão clara sobre quem realmente não possui massa crítica.

De um lado estão os lobos e do outro os pobres cordeirinhos. E quem não estiver nesse triste balé que não permite críticos, é ignorado, esculhambado e xingado, em uma clara tentativa de desacreditar esse indivíduo.

Chega a ser engraçado algumas reações da nossa intelligentzia. Vejamos alguns exemplos: os intelectuais brazucas e os gloriosos homens de esquerda possuem um verdadeiro pavor às empresas multinacionais, em uma discussão emocional e desinformada.

A raiva que eles possuem desse tipo de empresa é porque os idiotas acreditam que foram criadas nos Estados Unidos, destinada à projetar o seu poderio econômico, servindo as vezes como instrumento de pressão política. Mas na realidade, foram os países de mercado pequeno, como Suíça e Suécia que se empenharam em diversificar seus mercados em base multinacional, pois se fosse depender apenas dos mercados internos, estariam em maus lençóis.

Acontece que, em 1989, com a queda do Muro de Berlim, o mundo inteiro, principalmente os soviéticos, tiveram a constatação de alguns preceitos básicos como:

1 – Sem lucro não há eficiência de gestão;
2 – Sem incentivos individuais destrói-se a ética do trabalho;
3 – Sem o direito à propriedade o agricultor tem pouco animo para produzir;
4 – Sem os preços formados no mercado e não ditados pelo burocrata, os recursos são desperdiçados e o consumidor fica frustrado no fim;
5 – Que o socialismo é compatível com a tirania política e incompatível com a eficiência econômica.

O mundo inteiro comprovou isso, menos o Brasil e mais alguns países péssimos alunos e pobretões espalhados por aí. Quatorze anos depois desse fato, ainda não conseguimos passar de ano nos discursos intelectuais.

Este enorme ocorrido, talvez um dos mais importantes do século passado, que dissipou de vez a idéia da existência de um paraíso criado pelas ditaduras do proletariado, foi deliberadamente posto de lado pelas nossas cabeças “pensantes”. E isso desmascara também outro artíficio utilizado por essa canalha, ou seja, a superimportancia dada a alguns eventos e o proposital esquecimento de outros.

Nesse caminho de flores, assim como a União Soviética e Cuba, a frança também é combustível e fonte de inspiração de ideologias sinistras. Então, porque não criar uma áurea brilhante e canônica para este evento, que sem precedentes em quantificação de valorização, foi tão sobre estimado em seus feitos e tão subestimados em seus custos: A revolução francesa.

Na Alemanha, tivemos a reforma protestante, iniciada por Lutero, que teve consequencias muito mais proveitosas, na minha opinião, pois provocou o questionamento do dogma religioso, despertou o sentimento de livre inquirição, libertou os indivíduos para o contato com a divindade e fez com que a pobreza deixasse de ser uma coisa sacra. Em resumo, abriu caminho para o empirismo científico e para o capitalismo. Mas a Alemanha mata seus próprios cidadãos? Não? Então não serve de modelo para os intelectuais brasileiros.

Na Inglaterra, em 1215, com a Carta Magna, eles limitaram o poder do princípe, afirmaram o direito dos cidadãos e deceparam a cabeça de um rei em 1649 e com a Revolução Gloriosa de 1689, um século antes da Revolução Francesa, os ingleses afirmaram os direitos do parlamento (teoricamente do povo) contra o monarca, nascendo daí o parlamentarismo democrático. E a Inglaterra mata seus próprios cidadãos? Não? Então não serve de modelo pros intelectuais brasileiros.

Nos Estados Unidos houve a Revolução Americana de 1776 e a Constituição da Filadélfia de 1787, bem antes da queda da Bastilha e sem decepar a cabeça de ninguém, os americanos proclamaram os direitos humanos no Bill of Rights e inventaram, de quebra, um novo modelo de democracia republicana que a Revolução Francesa não conseguiu institucionalizar. E os Estados Unidos matam seus próprios cidadãos? Não? Entao não serve de modelo para os intelectuais brasileiros.

Os custos da Revolução Francesa foram enormes, inclusive de seres humanos. Em 14 meses, mataram cerca de 17 mil contrários às idéias dos Jacobinos. Outros custos foram econômicos: atraso na revolução industrial e ruína do comércio marítimo. Mas, o maior custo de Revolução Francesa foi ter sido a parteira do nacionalismo.

A Revolução Francesa declarou o direito dos homens mas jamais os praticou, pois só quase meio século depois foi que a França descobriu a democracia. Essa Revolução foi inspiradora de várias outras no planeta, inclusive na América Latina e suas revoluções de merda, que nunca foram conhecidas por seu cunho democrático ou por sua afeição aos direitos humanos.

E a maior dificuldade dessa turma é esconder que o capitalismo democrático é a forma política mais eficaz, até mesmo por exclusão. Senão vejamos: o socialismo soviético contem dois ingredientes nefastos, a máquina do terror e a ineficiência econômica. O fundamentalismo islâmico e os experimentos ideológicos do terceiro mundo só trouxeram pobreza e violência.

O capitalismo democrático é a mais provável receita a misturar satisfação social, eficiencia econômica e liberdade política. Em outras palavras, desenvolvimento com liberdade. E onde encontramos isso? Estados Unidos da América. Curiosamente o lugar do planeta onde a canalha dita intelectual mais esculacha e quer destruir. Curioso, não?

O sindicato da burrice quer entender mais de socialismo do que Mikhail Gorbatchev, que disse que “o socialismo não pode garantir condições de vida e de consumo”.

É triste e penoso assistir pessoas importantes se esforçando e passando papel de ridículo para tentar explicar as benesses desse tipo de sistema retrógrado e bastante falível.

E Luís Inácio vai conseguindo cada vez mais, como bem disse Delfim Netto, trazer a África e sua pobreza para a América Latina. E agindo como agiota ao inverso, pegando dinheiro a 10% e emprestando a 5% e mesmo assim, acha pouco e ainda perdoa quem está devendo ao milionário Brasil. Eita, que lambança! O negócio é que não existe e nem nunca existirá almoço gratuito. A conta fatalmente um dia chegará. E quem vai pagar? Talvez um dos pratos mais chics... O pato!!!

Escrito em Montréal, em novembro de 2003.

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