Sunday, 27 December 2020

Gaúchos voadores

 


A nossa história começa em 7 de maio de 1927, no Rio Grande do Sul. Foi nesse dia que a Viação Áerea Rio-Grandense começaria sua trajetória. A Varig foi criada por um alemão chamado Otto Ernst Meyer, ex-oficial aviador da Força Áerea Alemã.


Inicialmente, Otto havia ido pro Recife trabalhar em uma empresa Textil, mas estava mesmo era de olho na oportunidade de trabalhar com aviação. Tentou falar com o governo de Pernambuco pra implementar sua empresa por lá, mas não obteve sucesso. Tentou então o Rio de Janeiro, sem sucesso também. Encontrou o apoio necessário no Rio Grande do Sul.


Com as conversas fechadas com o Rio Grande do Sul, Otto foi pra Alemanha fechar um acordo com a Condor Syndikat, oferecendo 21% do que seria a Varig em troca de aviões e manutenção dos mesmos. O primeiro avião da empresa foi um hidroavião Dornier J-Wal, que levava apenas 9 passageiros. Inicialmente só fazia vôos dentro do próprio Rio Grande do Sul.


Apenas em 1932 que a Varig iria adquirir um avião com trem de pouso. Primeiro os Junkers A-50 e depois os Junkers F-13. Para se ter uma idéia de como era precária a aviação, e como esses aviões não iriam parar na água, a Varig teve que construir as pistas nas cidades pra onde voava, para que pudessem decolar e aterrissar.


Chegou então a Segunda Guerra Mundial e os alemães passaram a ser inimigos do Brasil. A Condor Syndikat já não fazia parte do controle acionário da Varig e o senhor Otto foi preso apenas por ser alemão. A solução encontrada foi criar uma fundação e colocar o funcionário mais antigo da Varig como presidente. Seu nome era Rubem Berta.


Em 1942, a Varig começaria a fazer vôos internacionais, com uma avião Havilland DH-89 Dragon Rapide. Foi o primeiro vôo comercial de uma empresa aérea brasileira. O vôo seria de Porto Alegre a Montevidéu, no Uruguai. Antes uma empresa que voava somente dentro do Rio Grande do Sul, fez seu voo internacional antes de ir pra outros estados do Brasil.


A Varig comprou muitos aviões que estavam sobrando da Segunda Guerra. Preço de hoje, custariam un 6000 dólares cada. Os modelos foram os Douglas DC-3 e Curtiss C-46. Assim, a Varig chegaria aos outros estados do Brasil. Então em 1955, com os aviões Lockheed Constellation, a Varig chegaria à Nova Iorque. Em 1959, a Varig entraria na era dos jatos e recebeu seus primeiros Caravelles. Em 1960, foi a vez do Boeing 707.


A Varig iria adquirir a Real Aerolineas e assim pegou suas rotas, incluindo Toquio. O capítulo controverso da historia da Varig seria o envolvimento no episódio do fim da Panair do Brasil. Com problemas políticos, o governo militar resolveu acabar com a Panair e repassou as rotas e aviões da Panair do Brasil pra Varig e pra Cruzeiro do Sul. A Varig ficaria inclusive com as rotas pra Europa.


A Varig negou saber o que iria acontecer com a Panair, mas no dia do encerramento das atividades da Panair, com um avião que iria sair pra Europa e foi impedido, já havia um avião da Varig pronto pra assumir o vôo que não sairia. O que causou um gosto amargo na boca de todos.


Mesmo com os jatos, a Varig apostava ainda nos turbo-helice pra rotas menores e em 196 recebia seus primeiros Lockheed Electra 2 e ficaram famosos por operar na ponte aérea Rio-São Paulo até 1991. Os problemas da Varig começariam na década perdida dos anos 1980, quando o governo congelou as tarifas. Se aprofundariam nos anos 1990, quando o monopólio dos vôos internacionais acabou e a Transbrasil entrou na briga.


No mercado interno, a briga era com a TAM e depois Gol. Em 2002, a empresa teve prejuízo de 2 bilhões de reais e entrou em processo de recuperação judicial. No mês passado, a Gol comprou a Varig por 275 milhões de dólares.


O pagamento será feito com 10% do caixa da Gol e com a entrega de 6,1 milhões de dólares em ações preferenciais emitidas. O valor chegará a 320 milhões de dólares, pois ainda tem 100 mihões de reais de debêntures já emitidos pela Varig. Com a compra, a Gol se aproxima da TAM.


Fabiano Holanda, Mississauga, Abril de 2007.

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