Em 1997, coube aos presidentes Bill Clinton e Boris Ieltsin darem fim ao último capítulo que envolvia a Guerra fria. Foram à Paris, e tendo Jacques Chirac como anfitrião, Ieltsin assinou, por falta de alternativa, um acordo com a OTAN, que permitia a aliança se expandir sobre os países do antigo Pacto de Varsóvia, que vinha a ser a contrapartida comunista da OTAN. Como premio de consolação, a OTAN deixou a Rússia participar das suas reuniões, com direito à palavra mas não à veto.
Oficialmente,
acabavam com o período turbulento, que tinha um perigo real de uma
guerra nuclear planetária. Período esse que foi moldado a partir da
Conferencia de Ialta, em 1945, que dividiu a Europa em duas zonas de
influência e que foram respeitadíssimas até que União Soviética
fechou as portas. E mesmo depois dela ter fechado as portas, a OTAN
só se arriscou de expandir rumo ao leste após a Rússia ter
assinado esse acordo. Clinton estava lá numa posição de vencedor e
Ieltsin, como se tivesse assinando uma rendição honrosa. Imagine aí
quanto comunista não deve ter ficado doido. Todos com os furicos
coçando.
Esse
acordo mexeu nas fronteiras militares europeias, traçadas por
Roosevelt, Churchill e Stalin, a partir das ruínas da II Guerra. O
carniceiro Stalin deve ter ficado muito puto, pois por falta de
recursos financeiros, Ieltsin trocava a assinatura do acordo por
recursos do ocidente que seriam injetadas na economia russa, que
estava agonizando.
Decisão
essa que não agradou também aos generais russos. Pra acalmar os
generais, a Rússia pediu a OTAN pra que colocasse no acordo que os
países que faziam fronteiras com a Rússia não poderiam receber
armas nucleares.
Só
pra se ter uma ideia do que representa ser da OTAN (NATO, em inglês),
um país sendo membro (hoje conta com 28 membros) fica sob o
guarda-chuva ocidental, que de acordo com o artigo 5 da organização,
diz que qualquer ataque a um membro do pacto deve ser entendido como
agressão a todos os restantes. Em 1956, os soviéticos entraram em
Budapeste pra parar um levante libertário e em 1968, entraram em
Praga com o mesmo propósito. O ocidente nada pôde fazer, por causa
das divisões militares traçadas anteriormente.
No
fim, a Rússia entrou pro G7, a organização económica das nações
mais industrializadas. Com a adesão da Rússia, o grupo foi
renomeado pra G8. A Duma, o parlamento russo, chamou esse tratado de
Ieltsin de “a derrota da Rússia na última batalha da Guerra
Fria”.No fim, foi preciso um presidente raparigueiro e outro
cachaceiro pra porem fim em toda essa paudurecencia mundial. Nem
sempre é preciso chamar os profissionais...
Fabiano Holanda, Setembro de 2008, Mississauga.

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