Friday, 27 August 2021

A morte da Guerra Fria

 


Em 1997, coube aos presidentes Bill Clinton e Boris Ieltsin darem fim ao último capítulo que envolvia a Guerra fria. Foram à Paris, e tendo Jacques Chirac como anfitrião, Ieltsin assinou, por falta de alternativa, um acordo com a OTAN, que permitia a aliança se expandir sobre os países do antigo Pacto de Varsóvia, que vinha a ser a contrapartida comunista da OTAN. Como premio de consolação, a OTAN deixou a Rússia participar das suas reuniões, com direito à palavra mas não à veto.


Oficialmente, acabavam com o período turbulento, que tinha um perigo real de uma guerra nuclear planetária. Período esse que foi moldado a partir da Conferencia de Ialta, em 1945, que dividiu a Europa em duas zonas de influência e que foram respeitadíssimas até que União Soviética fechou as portas. E mesmo depois dela ter fechado as portas, a OTAN só se arriscou de expandir rumo ao leste após a Rússia ter assinado esse acordo. Clinton estava lá numa posição de vencedor e Ieltsin, como se tivesse assinando uma rendição honrosa. Imagine aí quanto comunista não deve ter ficado doido. Todos com os furicos coçando.


Esse acordo mexeu nas fronteiras militares europeias, traçadas por Roosevelt, Churchill e Stalin, a partir das ruínas da II Guerra. O carniceiro Stalin deve ter ficado muito puto, pois por falta de recursos financeiros, Ieltsin trocava a assinatura do acordo por recursos do ocidente que seriam injetadas na economia russa, que estava agonizando.


Decisão essa que não agradou também aos generais russos. Pra acalmar os generais, a Rússia pediu a OTAN pra que colocasse no acordo que os países que faziam fronteiras com a Rússia não poderiam receber armas nucleares.


Só pra se ter uma ideia do que representa ser da OTAN (NATO, em inglês), um país sendo membro (hoje conta com 28 membros) fica sob o guarda-chuva ocidental, que de acordo com o artigo 5 da organização, diz que qualquer ataque a um membro do pacto deve ser entendido como agressão a todos os restantes. Em 1956, os soviéticos entraram em Budapeste pra parar um levante libertário e em 1968, entraram em Praga com o mesmo propósito. O ocidente nada pôde fazer, por causa das divisões militares traçadas anteriormente.


No fim, a Rússia entrou pro G7, a organização económica das nações mais industrializadas. Com a adesão da Rússia, o grupo foi renomeado pra G8. A Duma, o parlamento russo, chamou esse tratado de Ieltsin de “a derrota da Rússia na última batalha da Guerra Fria”.No fim, foi preciso um presidente raparigueiro e outro cachaceiro pra porem fim em toda essa paudurecencia mundial. Nem sempre é preciso chamar os profissionais...


Fabiano Holanda, Setembro de 2008, Mississauga.


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