Tuesday, 6 October 2020

Abulomania proposital

O futuro é construído pelas nossas decisões diárias, inconstantes e mutáveis, e cada evento influencia todos os outros”.

Alvin Toffler

Fulano de Oliveira Penteado, o cara que sabe de tudo versus tudo, diz à plenos pulmões, em cima de um banco de uma universidade federal qualquer: “Um país não é uma empresa! No país, temos que ouvir o povo!!!”

Quando eu escuto isso, juro que é sem querer, surge uma pergunta em frente aos meus olhos. Eu a empurro, mas ela volta. Então me entrego. Lá vai. Esse mesmo povo que acaba de eleger o canalha do Luis Inácio pra presidente do Brasil? É esse povo que devemos consultar pra administrar o país?

Mas aí o Penteado berraria: “Ditador!!”. Volto à mesma questão que já fiz outrora. Decisões deveriam ser tomadas apenas por indivíduos aptos a colherem os prós e os contras e realizarem uma ponderação lógica e meter a caneta. No Brasil, as decisões mais importantes são tomadas justamente pelos energúmenos que não sabem nem a pergunta, quem dirá a resposta.

Pra começar com as escolhas dos representantes do povo. Um analfabeto tem o direito de votar. Ora, o sujeito não sabe nem escrever o próprio nome? Nem ler? O que um sujeito desses pode ter de arcabouço intelectual para decidir um problema econômico ou fiscal de um país? E até mesmo os próprios representantes, muitos deles semi-analfabetos ou analfabetos funcionais, o que teria um elemento desses para contribuir pra uma melhoria do país?

Aí o Penteado gritaria: “Preconceituoso!”. No Brasil é assim, quando você olha pra um problema e o perpetuador daquele problema não tem resposta minimamente plausível, ele corre pra desqualificar o interlocutor.

Uma reforma necessária leva décadas até que os sujeitos sérios consigam que ela seja levada à discussão. Mas logo os canalhas se apressam em propagar desinformações e convencer à massa de jumentos que aquilo não é bom eles, quando na verdade seria a melhor coisa pra eles, mas assim eles melhorariam de vida e deixaram de ser massa de manobra. Triste localidade é esse Brasil.

Quando se pensa em amputar o pé por causa de uma grangrena, a abulomania crônica e proposital não permite, mas se por acaso permitir, demora tanto que já é preciso arrancar a coxa toda. Mas a turma canalha ainda consegue convencer o pouco inteligente de que o melhor pra ele foi mesmo arrancar logo a coxa toda. E o idiota sai rindo do hospital fazendo cara de feliz e o sinal de Lula Lá, convencido de que aquela turma realmente o ajudou, afinal, ele poderia ter morrido, né?

O maior exemplo disso é a briga da intelligentzia acerca dos famosos direitos trabalhistas. Fomentam uma justiça inteira do trabalho, criando marajás de toda sorte, ministros, desembargadores, juízes e o escambau, que com o dinheiro arrecadado das empresas e dos indivíduos, advogam em prol de lascar esses, tipo um ritual canibalesco que vai terminar por devorar todos.

Além disso, é uma horda de vagabundos lotados nos sindicatos, vivendo nababescamente enquanto os muitos suam a camisa e ainda dão parte dos seus salários pra os marajás líderes sindicais. Ora, mas eles ainda são convencidos de que os encostados são amigos deles. Como pode isso, Jesus? Porque o senhor não colocou cérebro em todos os seus filhos?

Todos esses sindicatos e justiça do trabalho com leis da década de 40 encarecem a vaga de trabalho e assustam o empresário, que nao cria mais trabalhos porque está sempre no limite mínimo de funcionários contratados, uma vez que cada um funcionário desses que sair da sua empresa o colocará na justiça e ele pagará uma fortuna. Sim. Não tem julgamento. É o empresário que se fode sempre. A dúvida é quanto pagar, não é se vai pagar, por determinação de um juiz vagabundo. Mesmo o empresário tendo pago tudo de acordo com a lei.

Aí vem os problemas causados por essa ideologia nefasta. Quem danado quer ser empresário? O negócio é ser concursado. Mas pasmem, empresário gera emprego pra população. Funcionário público não gera porra nenhuma e ainda quando pode, fode com o empresário que está gerando emprego. É uma inveja subconsciente. É o filho do Penteado dizendo: “Vou meter o carimbo, foi fechar essa joça!!”.

Novamente, sem o empresário não há imposto, sem imposto, o governo não tem dinheiro pra empregar o burocrata. Mesmo assim o burocrata acha que seu inimigo é o empresário. Vai entender, Jesus? Porque não desses cerébro pra todos os seus inquilinos?

E só falam em aumentar o Estado, achando que ao fazer isso o dinheiro vai aparecer nas árvores. Mas se deixarmos todo o aparato econômico nas mãos do Estado e não incentivarmos a iniciativa privada e o empreendedorismo, nós iremos continuar dançando a dança da falência. Desde a Rússia em 1917 até hoje, os resultados de uma cultura de Estado forte acaba no mesmo resultado. Estado forte é Estado pequeno. É uma formiga atômica. Estado grande é fraco e aberto à corrupção e sangrias de dinheiro do contribuinte. Vou martelar isso até o brasileiro entender.

Inicialmente, em uma economia dirigista, existe um crescimento acelerado, pois o Estado despeja dinheiro na criação dos bens de capital, gerando um consumo comprimido. Então passa-se um tempo e o país começa a entrar pelo cano e começa a ter problemas. Qual a solução que eles encontram e que a história nos mostra? Opressão, autoritarismo, todo mundo lascado e sem dinheiro, população sem direitos políticos... E sem exceção, as elites que comandam esses países, cada vez mais com os bolsos cheios.

Os canalhas soviéticos da revolução Bolchevique, que conseguiram iludir a massa de lá para derrubar os outros canalhas que lá estavam antes deles, não fizeram diferente. A única diferença é que com lábia e mentiras, conseguirm incutir nas cabeças da galera que eles iriam ser livres caso vencessem as forças existentes. Coitados, trocaram somente os senhores dos escravos, sendo estes últimos umas dez vezes mais sanguinários. Trotsky aprendeu e ensinou que só havia o controle através do medo. E matavam à toque de caixa, culpados ou inocentes, para meter medo nos demais. Trotsky era o Goebbels russo.

O Estado bonzinho que trata o cidadão como retardado e incapaz e quer ser o pai, a mãe, o padrastro e a amante, só gera mais despesas públicas e mais impostos para cobrir esses gastos crescentes. A população que acha que está recebendo de graça, não sabe que está pagando e muito por essa suposta ajuda do governo.

Em uma empresa, o empresário é quem gasta e quem ganha. Ele então gasta de maneira sábia. No governo, o sujeito que gasta não é o que ganha. Pouco amor ele tem por aquele dinheiro que ele não gerou. Não vivíamos escutando dos nossos pais? Você tem que trabalhar pra dar valor ao dinheiro!!! Pois bem, o Estado não dá valor nenhum ao dinheiro que administra.

Qualquer um sabe, se você gastar mais do que ganha, vai falir. O setor privado também, por isso se preocupa tanto com os custos e despesas que possuem. O governo não está nem aí. No começo do século 20, os gastos público eram da ordem de 6% dos PIBs dos países. Hoje chegam à 70% em alguns casos. E quem assina esse cheque, não corre atrás de ganhar esse dinheiro. Por isso a tendencia é só piorar.

O cidadão que acha bom as benesses do governo não sabe que ele quem tá pagando a conta, seja com impostos, inflaçãou ou aumento da dívida pública. E a falta de tomada de decisões ou a demora quase eterna é proposital, causando uma suposta paralisia para analisar, uma abulomania programada, uma estagnação canalhamente organizada.

Mas o Penteado tem razão. Sempre tem. Se não tem, e eu acho que não tem, mas o povo brasileiro dá um braço pra defender os lobos que se fazem de ovelhas. Vão demorar muito ainda antes de sair da fossa...

Fabiano Holanda, Boston, Massachussets, Junho de 2003.

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