“Pensar
é o trabalho mais duro que há. O que é provavelmente o motivo
porque tão puca gente se dedida a fazê-lo”.
Henry
Ford
De
uma maneira geral, eu dividiria as pessoas em três grandes
categorias: os inertes, os ajustáveis e os visionários.
O
primeiro grupo é composto por pessoas que são jogadas de um lado
para outro durante suas tristes passagens pela terra. Elas nada
escolhem, são como pedaços de madeira num rio caudaloso. Na maioria
das vezes são os escravos do mundo. Tristemente, eles compõem 60%
da humanidade.
O
segundo grupo é formado por pessoas que tentam se ajustar às
mudanças geradas no ambiente em que estão inseridas. Geralmente são
pessoas que vivem razoavelmente bem e que estão sempre ávidas por
saberem as novidades, pois é baseado nelas que esses traçam seus
planos. Elas são 39% dos humanos do planeta terra.
O
terceiro grupo é constituído por pessoas que inventam os caminhos e
desbravam as matas. Pessoas que se adiantam do seu tempo. Para eles,
as oportunidades não são percebidas, elas são criadas.
Em
grande parte do tempo, pessoas que você não conhece pessoalmente e
não são do seu convívio, mas que você escuta sempre o nome, são
enquadradas nessa terceira categoria. Seja Bill Gates, seja o palhaço
Tiririca. Eles criaram suas respectivas oportunidades. Apenas 1% dos
indivíduos estão aqui nesse grupo.
Quem
é capaz de antecipar o futuro, evita acontecimentos nefastos ou se
preparará de forma máxima para os acontecimentos positivos. Isso
todo mundo já sabe. Mas só quem sabe como aplicar é o terceiro e
famoso grupo. Eu diria que uma pessoa que se adapta e se ajusta às
novas situações e ao que se passa ao seu redor, perceberá em breve
que somente isso não é mais suficiente. Hoje, é necessário ter um
certo poder de influenciar o meio em que se vive.
O
enorme problema percebido nos dias de hoje é que o grupo dos inertes
está em franco crescimento, apesar dos investimentos cada vez
maiores em educação ao redor do globo terrestre. Vejo nisso duas
conseqüências: primeiro, o grupo dos ajustáveis irá diminuir.
Segundo, por evolução, o grupo dos videntes vai ter que crescer,
até mesmo para sobreviver. E desse aspecto, surgirão cada vez mais
novidades ridículas em vez de inventos autênticos, pois não serão
resultado de um processo natural e sim de um fenômeno forçado.
Gostaria
de lembrar aos inertes que, é verdade, vocês têm razão, nós não
escolhemos nascer, muito menos optamos pela nossa cor predominante ou
escolhemos possíveis doenças. Mas, por outro lado, escolhemos
nossas ações. E não consigo conceber como permanecer inerte se
temos o divino poder de mudar as coisas. E digo por experiência
própria, não existe nada impossível. Se nós não acharmos o
caminho, é necessário inventá-lo.
No
que se trata de resolução de problemas, os inertes possuem sempre
uma solução para todos os problemas. Mas observem que essas
soluções só são eficazes se nós tivermos a capacidade de
pensar antes. Ter a solução depois do problema resolvido de nada
adianta. E eles querem usar uma solução que além de obsoleta, não
deu certo antes quando ainda era moderna, o que é pior ainda,
imagine quando já está mais do que ultrapassada?
Além
disso, os inertes procuram sempre o caminho mais fácil, pensando
poderem colher algum fruto disso, não sabendo que as melhores e mais
incríveis coisas da vida são provenientes de um caminho mais
difícil e trabalhado.
Qual
o caminho mais fácil hoje? É ser antiamericano? Então, o inerte
está lá, com o tridente apontado pros Yankees.
Na
segunda grande guerra, seduzido pelo caminho mais fácil, Getúlio
queria entrar na guerra ao lado da Alemanha de Hitler, da Itália de
Mussolini e do Japão dos kamikazes, pois era dado como certa a
vitória do Eixo.
Quem sabe não teria sido melhor ter entrado, aí seríamos
destruídos e reconstruídos sob uma nova efígie, como o Japão e
Alemanha?
Mas,
no cenário manifestante de hoje, e se não invadisse nenhum país à
sua volta, Hitler continuaria na Alemanha matando os judeus, pois
isto seria uma questão interna, como alegam os analistas
internacionais. E ninguém teria nada a ver com isso, afinal, foram
os judeus que escolheram morrer.
Os
sábios pacifistas de hoje alegam que ninguém pode interferir na
questão do Iraque. Se Saddam tortura ou deixa de torturar, utiliza
câmaras de estupro, mata dissidentes (até membros de sua própria
família), dizima populações inteiras, todos civis, usando gás
(como fez na cidade curda Halabja em 1988, localizada no norte do
Iraque, matando mais de 5.000 pessoas), isto não é problema de
ninguém, só do povo iraquiano, afinal amam o ditador!!!
“Mas,
os Estados Unidos são pior”. Chegam a babar de raiva quando falam
da morada do Lúcifer, da mansão do coisa
ruim.
Já criaram um senso contrário ao pensamento. É impossível alegar
que talvez algum americano venha a fazer alguma coisa boa um dia. É
uma pena que se tenha chegado a esse extremo.
Porém,
falo dos inertes... ah, os inertes! Os inertes, que curiosamente
pensam que são ativos e engajados politicamente e dizem que pessoas
que não vão às ruas reclamar por isso e aquilo são alienados e
conformados. Eles são de fato uma raça curiosa que merecem um
estudo sério, uma espécie de dissecação.
Para
simplificar um pouco, o inerte-bicho-grilo-manifestante de hoje vê
somente as aparências. E é necessário conhecer a realidade para
transformá-la, porque nós não podemos transformar o que não
conhecemos. Ou alguém vai me dizer que essa massa de contrários a
isso e aquilo sabem porque alguma coisa acontece, alem do que lêem
nos jornais, e de uma imprensa também de cunho contestador? É um
inseto que se alimenta das próprias fezes e que cresce de tamanho a
cada dia. E já está imenso.
A
primeira vez que eu percebi a correnteza empurrando a massa dos
inertes foi no episódio ridiculamente apelidado de “manifestação
dos caras pintadas”. E, inacreditavelmente, ainda existe muita
gente boa que acredita que o presidente Fernando Collor caiu devido à
força dessa valente juventude, saindo às ruas e bradando “justiça”.
Inclusive tem um tal de Lindemberg Farias que lucra até hoje com
esse triste episódio. É deputado do PT e integra o grupo dos três
mosqueteiros. Os outros são Heloísa Helena e Babá.
Virou
moda. Os idiotas só não percebem que são peças figurativas do
esquema. Eles são como uma vela em cima de uma mesa que serve de
pano de fundo para uma cena de sexo . Não é por causa dela estar
ali ou não que o mocinho vai fazer ou deixar de fazer sexo com a
princesa. Ela só serve para deixar a coisa mais romântica. E
romantismo não falta nessa gente.
Raul
Seixas já dizia, ridicularizando os cabeludos protestadores de
plantão, que de nada adianta esse tipo de manifestação. Se alguém
quiser entrar no mundo dos ratos, você tem que se fantasiar de
camundongo e entrar no buraco deles e somente uma vez lá dentro, é
que você pode mudar alguma coisa. Lindemberg entrou no buraco. Se
ficar de fora somente gritando palavras de ordem, os ratos ficarão
somente a sorrir. E eles já estão sorrindo.
É
dessa forma que analiso os manifestantes pró-paz. Os bicho-grilo de
hoje. Em todo o mundo, inocentes e maliciosos participam de uma
pressão contra os Estados Unidos da América, na qual se tende
implicitamente convencer o mundo que Saddam Hussein é apenas uma
vítima.
Os
pacifistas são ingênuos e estão prestando um desserviço ao mundo.
É lindo defender a paz, mas o que está ocorrendo é uma inversão
de valores.
Vejo
textos e mais textos à favor da paz. Seria muito bonito se não
fosse tolo ou intencionado. Paulo Coelho escreveu um texto intitulado
“Obrigado, Bush!” E assim como ele, outros escritores populistas
fizeram parecido. Paulo Coelho quer arrancar aplausos fáceis.
Pessoas assim não vivem sem uma autopromoção.
Mas,
infelizmente não é essa a temática desse texto. Deixemos o
julgamento do senhor Bush e do senhor Hussein para quem é de
direito. Eu tento dizer é que pensem na eficiência do protesto,
antes de ficarem a bradar. Gritinhos e choros só servem para as
mamães perceberem e correrem para alimentar os seus filhotes. Quando
a história se passa com marmanjos, essa estratégia não é
eficiente nem eficaz.
Para
os inertes, ajustáveis e visionários, fique a mensagem. É
necessário agir em tempo e não ficar à procura de um diagnóstico
perfeito para poder se mexer e resolver algo. O único diagnóstico
perfeito é, infelizmente, aquele que a gente obtém com a autópsia.
E eu continuo me negando veemetemente a chutar quem está sendo
chutado por todos.
Os
escravos servirão!
Fabiano
Holanda, Montréal, março de 2003.

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