“Os
analfabetos do próximo século não serão aqueles que não sabem
ler ou escrever, mas aqueles que se recusam a aprender, reaprender e
voltar a aprender”.
Alvin
Toffler
Existem
dois grandes pensadores da administração moderna, cada um com
reputação e história própria. Henry Mintzberg, o primeiro deles,
é professor da renomada McGill University, em Montréal, Canadá. É
considerado o papa da estratégia empresarial. No Canadá, eles o
conhecem como o Peter Drucker canadense e a revista Fast Money
descreveu-o como sendo o Mick Jagger do Management.
O
segundo, dispensaria comentários, é a maior sumidade em termos de
administração de empresas, o maior pensador vivo dessa área, o
austríaco naturalizado americano Peter Drucker, o próprio a quem os
canadenses se referem com tanta admiração.
Na
minha humilde comparação, seria o mesmo que Peter Drucker ser o
Pelé e o Henry Mintzberg ser o Ronaldinho. Porém, ambos ainda
bastante atuantes ou com pensamentos bem influenciadores.
Quando
um estudioso dessa envergadura tece algum comentário ou lança algum
pensamento, merece ser ouvido, pois sua bagagem acerca do tema é tão
vasta que seria considerada uma perda de oportunidade desperdiçar
fonte tão rebuscada.
Mas,
interessante e instigante ao mesmo tempo, é quando essas sumidades
entram em desacordo, mesmo isso sendo raro. Ficam os pobres mortais
tentando achar uma falha nos argumentos dos mestres e com uma dúvida
latejando na cabeça. Quem estaria realmente com a razão? Nesse
caso, eles discordam sobre um tema um pouco batido, mas atual, a
liderança.
Mintzberg,
numa recente entrevista ao jornal Les Affaires, uma publicação
québecois sobre negócios e administração, disse que a idéia de
se ir para uma escola para se tornar um líder é completamente
risível. Ele alega que a estrela de um líder se manifesta antes dos
dez anos de idade.
Depois
disso, tudo o que se pode fazer é criar condições que fortaleçam
essa liderança, como colocar os administradores em situações
difíceis, mudar situações para permitir que ele aprenda, e
forçá-los a refletir sobre suas próprias experiências.
Entretanto, para que tudo isso seja válido, é fundamental que seja
praticado com um indivíduo que já esteja envolvido em cargos
administrativos e construir o ensinamento a partir da experiência
desse indivíduo e não em casos citados nos livros.
Em
outras palavras, segundo Mintzberg, um MBA (Master Business
Administration) não serve de nada se for usado para criar um líder,
um administrador. É necessário que já se seja um administrador ou
líder e só em seguida deve-se fazer um MBA. Aí sim, esse tipo de
curso teria sua devida importância.
Por
outro lado, Peter Drucker, no prefácio do livro O Líder do
Futuro, uma coletânea de artigos sobre liderança, organizada
pela Peter F. Drucker Foundation, alegando que já estuda a liderança
há mais de 50 anos, diz que as lições aprendidas por ele são
inequívocas.
Segundo
Drucker, a maior definição de líder é alguém que possui
seguidores.
E
continuando, ao citar a grande lição que aprendeu sobre liderança,
ele arremata: “líderes natos podem até existir, mas com certeza
raros dependerão deles. A liderança deve e pode ser aprendida – e
este, é claro, é o motivo de este livro ter sido escrito e o
objetivo de sua utilização”, referindo-se ao livro já citado.
E
então, só nos resta a questão: um indivíduo pode ou não aprender
sobre liderança, ou sobre como se tornar um líder?
De
minha parte, acredito que o maior líder, assim como o maior jogador
de basquete, sejam mesmo oriundos de talentos natos. Michael Jordan
foi visto por algum olheiro, alguém o treinou e depois ele se tornou
o maior jogador de basquete de todos os tempos, pois além do
treinamento, possuía uma predisposição natural para esse tipo de
tarefa.
Porém,
existem muitos jogadores de basquete que não possuíam tal talento e
mesmo assim se tornaram jogadores de alto nível e eficientes.
Segundo a teoria de Mintzberg, no meu ponto de vista, teríamos
somente que lidar com os Michaels Jordans da vida.
Drucker,
pelo contrário, incentiva àqueles que não possuem tanto talento,
mas que podem cumprir perfeitamente seus objetivos, seja liderar,
seja jogar basquete ou futebol.
Imagino
que existem muitas empresas que perceberam a diferença que há entre
contar com um dirigente detentor de um diploma de MBA em seus quadros
ou sem esse diploma. Muitos deles nunca tiveram contato com gestão e
ainda assim, se tornam perfeitamente grandes administradores e
líderes. Engenheiros de todas as áreas, economistas e psicólogos
são a prova viva disso.
Assim,
nesse embate, e mesmo com uma carga infinitamente menor de pesquisa
sobre o assunto para poder opinar solidamente, ficarei mesmo com
Pelé, digo, Peter Drucker. Liderança pode e deve-se ser aprendida
na escola.
Fabiano
Holanda, Montréal, Fevereiro de 2003.

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