“Não
devemos acreditar na maioria que diz que apenas as pessoas livres
podem ser educadas, mas sim devemos acreditar nos filósofos, que
dizem que só as pessoas educadas é que são livres”.
Epictetus.
Observando
como algumas comunidades e seus membros usam e abusam da liberdade
nesse país, me pego pensando o que liberdade em excesso pode causar
nas pessoas que não são acostumadas com ela? E mais ainda, qual
efeito que isso reflete nos outros?
O
limite dessa liberdade, que pode ser abstrata para alguns, mas é bem
definida pra outros, é o que causa uma grande série de problemas.
Essa suposta ambiguidade só traz perdas ao homem de bem, afinal os
fracos de caráter se aproveitam dessa brecha e praticam suas
palhaçadas, muitas vezes impunemente.
Não
podemos dar liberdade total e irrestrita à uma criança justamente
porque ela não sabe ainda se utilizar desse benefício. Um pai não
vai deixar um filho de cinco anos sair de casa, sem dizer onde vai e
nem que horas volta. Seria uma burrice sem tamanho. Similar é dar
liberdade à certas pessoas, pois não sabem viver com ela.
Algumas
pessoas repetem que “A sua liberdade acaba onde começa a
minha”. Acho isso um conceito falho. A sua liberdade e a minha
estão interligadas e para que exista a minha liberdade, é
necessário que a sua esteja consagrada e que viva em perfeita
comunhão com a minha, caso contrário ela não pode validá-la.
Junto
com essa liberdade exagerada, temos ainda o problema da falta de
respeito ao próximo. A violência entre os homens está associada
com esses dois pontos.
Alguns
anos atrás, visitei uma cidade no velho oeste potiguar chamada
Caraúbas. Lá, apesar de uma enorme fama de violenta, não vi sequer uma
discussão. Abismado, perguntei ao meu amigo e ele me disse que lá
ninguém desrespeitava ninguém levianamente. Todo mundo educado e
obrigado e com licença eram bem usados. Ele me disse que lá ninguém
brigava por besteira pois a punição era severa e instantanea. Então
optaram pelo caminho da cordialidade.
A
liberdade pode matar. Lembro do caso dos cintos de segurança. Quando
era criança, a gente usava se quisesse. Muitos carros nem vinham com
cinto. De três pontas então, só conheci depois de grande. Então
começou a campanha pra usarmos o cinto. Quase ninguém usava, mesmo
sabendo que era pra sua prória proteção.
Foi
que de repente, não mais do que de repente, foi instaurada uma
punição pra quem não quisesse usar o cinto. E todos passaram a
usar. Mas quem não entende a liberdade, reclamava do governo,
dizendo que não podiam escolher se eles e os filhos queriam morrer
sem cinto. Compreende que às vezes é preciso que as coisas sejam
forçadas?
Da
mesma forma no Brasil, um grupo de pilantras nos anos 60, em nome de
uma liberdade fajuta, pois na verdade queriam implantar um sistema
comunista no Brasil, se sentiam livres pra matar, roubar, sequestrar,
extorquir e outras mazelas brasil adentro.
O
discurso deles era que estavam pegando em armas para acabar com a
ditadura militar, justamente porque os militares atendendo um chamado
do povo, interrompeu a escalada pêlega iniciada com o pêlego-mor,
João Goulart. Isso ficou tão enraizado na cabeça do brasileiro que
virou “in” ter sido um terrorista, comunista, bandido, e tudo que
fosse contra os militares. Os professores de história canalhas que
fizeram mais esse desfavor à nação.
Na
cabeça doente desses vagabundos, Fidel é um herói porque
exterminava aos borbotões opositores do seu sistema e os militares
eram monstros porque em 25 anos de governo militar, desapareceram 247
terroristas. Esses são números para Fidel numa tarde, enquanto
tomava seu rum, fumava seu charuto e jogava Texas Hold'em. Canalhas
como Chico Buarque e Oscar Niemeyer pensam assim. Dois pulhas.
Dá
pra sacar como o conceito de liberdade é elástico e flexível? Li o
livro Autópsia do medo, sobre a vida e morte do delegado
Sérgio Fleury, de Percival de Souza. O autor afirma que os dois
lados envolvidos na guerra não podem ser eximidos de culpa. Houve
excessos dos dois lados, mas que a violência começou a ser escalada
pelos terroristas.
Acontece
que hoje em dia, esses terroristas estão ocupando cargos e querendo
punir os militares. O Brasil é mesmo sui-generis. Seja terrorista e
em vez de punição, irás virar deputado, como Gabeira e tantos
outros.
Mas
e a tal liberdade? Tocqueville dizia que ela era algo extremamente
frágil e por isso deveria ser querida e protegida. Compreende? E não
usada como se usa um papel higiênico. Mas ele alertou contra os
perigos de se querer igualdade, essa impossível de se alcançar e
que quando se tenta, só se tem desgraça.
Quando
se busca igualdade, ameaçamos a liberdade, pois criamos a tirania da
maioria e um estado autoritário e despóta, que foi o que aconteceu
em todos os países comunistas e que os lindinhos queriam implantar
no Brasil. A gente deveria fazer oração pros militares todos os
dias, agradecendo o mal que eles evitaram.
Tocqueville
afirmou que o ideal liberal, que tem por base a independencia do
indivíduo, é inconciliável com o ideal de igualdade, pois este
último nivela as pessoas, retirando entre outras coisas, sua
liberdade de expressão e tudo o mais.
É
neste ponto que ele combate o socialismo por entender que difundem
idéias politicas onde o que deve prevalecer é o igualitarismo em
detrimento da defesa da liberdade. O socialismo fortalece o poder do
estado que desemboca em um despotismo no qual a liberdade dos
cidadãos desaparece.
Para
Mill, a luta entre liberdade e autoridade é a característica mais
marcante nas frações da história. Segundo ele, nenhuma sociedade
que não garanta a liberdade de expressão e opiniões, a liberdade
de escolha do próprio plano de vida de cada cidadão e a liberdade
de associação, não é uma sociedade livre, seja qualquer forma de
governo.
Mill,
no entanto, fala muito da responsabilidade que deve acompanhar essa
liberdade. Liberdade existe pra ser usada e não mal interpretada ou
manipulada. Os imigrantes oriundos de países onde a liberdade é
mais cara do que ouro, tem que se adequarem para não terem uma over
dose dessa maravilha, igual ao sujeito que nunca comeu camarão.
Tal
qual uma baleia que viveu toda a vida num aquário e vai pro oceano
de repente. Inicialmente ela pode achar que está melhorando de vida,
mas na verdade não sabe nem como arranjar alimentos pra sua
sobrevivência e se pudesse pediria pra voltar pro aquário.
Fabiano
Holanda, Montréal, Março de 2002.

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