“O
fruto do meu trabalho deve ser pra mim”.
Voltaire.
Como
passageiro de metrô, mesmo sempre cansado, pude fazer uma simples e
conclusiva constatação que mostra um pouco como é o comportamento
humano. No metrô de Montréal, existem lugares com dois assentos e
lugares com apenas um.
Nessa
experiência involuntária, pude perceber, ao longo de centenas de
viagens, que as pessoas nunca procuravam sentar-se num banco com dois
lugares, caso houvesse um banco de apenas um lugar vazio. Procuravam
sempre fazer a viagem sozinhas. Essa vontade era tanta, que chegavam
até a trocar de vagão, só pra realizar esse desejo, o que me fez
concluir de uma vez por todas que não era coincidência.
Foi quando deu um clique na minha
mente. Poxa, não era só eu quem gostava de ficar sozinho no meu
canto!! Aquele pessoal todo também. Comecei a fazer uma ligação
entre os sistemas de produção de um país. E em uma escala mais
macro, vi que o ser humano é totalmente individualista, que sua
preocupação maior é com ele mesmo e com seus familiares.
O
homo-sapiens é individualista por sua natureza. Foi assim que Deus
fez. O ser humano nunca foi e nem nunca será coletivista. Deus não
quis assim. O ser humano não se sacrifica por sua comunidade. Se não
acredita, analisemos a vida animal como um todo.
A
grande maioria dos animais conhecidos pela ciência são
individualistas. Temos algumas exceções, no reino dos insetos. As
Abelhas e as formigas, devido à sua natureza, são coletivistas.
Para essas espécies, o mais importante é a sobrevivência da
comunidade.
A
resposta quem dá são os genes. Eles que determinam tudo. A grande
prioridade para qualquer individuo de qualquer espécie do planeta
(com raras exceções mostradas no parágrafo anterior) é a proteção
do seu código genético. Para essa esmagadora maioria, a melhor
forma de preservar sua carga genética é a prática da atuação
individual de cada indivíduo da comunidade.
As
abelhas e formigas são exceções porque nascem de uma única fêmea,
a rainha. O que isso significa? Que todos os indivíduos dessa
comunidade possuem o mesmo código genético. Neste caso, o
sacrifício coletivo significa diretamente o sucesso do seu gene. Não
importa pra onde ele olha, todo mundo é brother ou sister.
Nós,
humanos, temos códigos genéticos diferentes nas nossas comunidades,
então como poderemos um dia querer que dê certo algum sistema de
organização econômico-social que seja coletivista? Não funciona
pelo simples fato de sermos individualistas.
Porém,
quem quer dizer isso com palavras claras, além de mim? Pouca gente.
Ninguém assume, porque a canalha comunista/socialista que infectou
as redações, artes e salas de aula na América Latina, colocou nas
cabeças e mentes de todos, que o ato de pensar em si mesmo é algo
nefasto. Pois pensar em si mesmo mata a doutrina nebulosa deles pelo
pé. Não cresce nem capim ao redor.
A
individualidade está intimamente ligada com o individualismo. São
gêmeos. E o que é a individualidade? É a capacidade de nós nos
reconhecermos como unidade, mesmo que integrada e inserida num
contexto maior, como nossa família, amizades, bairro, cidade, país,
planeta, universo. Somos indivíduos com pecualiaridades próprias,
uma parte única do universo composto de pessoas diferentes que às
vezes partilham interesses em comum.
Deus,
oquem criou tudo, não era comunista. Ou quem não acredita nele,
pode seguir o mesmo pensamento. Nesse caso aqui, não importa. Deus
não era comunista. Se ele fosse, todos teriam o pênis medindo 30
centímetros ou medindo 5 centímetros. Todos seriam loiros ou
morenos. Todos teriam 2 metros de altura ou apenas um. Mas, pela
impressão digital, já sabemos logo. Deus não queria todos iguais.
Senão todos teriam a cara de Brad Pitt ou de Tião Macalé.
Os
que se assumem individualistas (pois o resto finge não ser pra mamar
nos outros) consideram legítimo cuidar dos seus próprios
interesses. Ele não espera muito dos outros e prefere dar pouco de
si.
Nesse
período pós-world trade center, a discussão que anda muito em
voga, principalmente aqui no Norte da América, é sobre o
individualismo. Pensam os pobres iludidos que os Estados Unidos irão
mudar sua maneira individualista de pensar por que foram atacados.
Os
Estados Unidos se tornaram a nação forte que são principalmente em
consequência da doutrina protestante. São frutos das
anarco-democracias e seus maiores representantes. A expressão máxima
das anarco-democracias, é o individualismo americano.
Na
disciplina chamada Gestion Comparée, que fiz no meu curso de
mestrado na HEC Montréal, ministrada pelo grande professor
Alan Joly, um canadense que fez doutorado na Fundação Getúlio
Vargas, em São Paulo.
Nessa
disciplina, conheci um autor holandês chamado Hofstede. Ele é
doutor em psicologia social e um dos principais nomes em termos de
características dos países ligados com gestão.
Os
Estados Unidos são o país com maior grau de individualismo entre
todos os 53 estudados por Hofstede. Este é um valor cultural
bastante arraigado no país. “A maioria dos americanos acredita
que o individualismo é positivo e que isso é uma das raízes da
prosperidade do país”, disse Hofstede.
O
fato dos indivíduos serem movidos pelo seu próprio bem estar foi
muito bem compreendido após Thomas Hobbes. A sua grande obra é O
Leviatã. Nela é abordada a teoria contratual do governo e
Hobbes é muito específico ao citar que o principal motivo por trás
da teoria contratual é o comportamento do cidadão em seu próprio
benefício.
Depois
veio Locke, e com ele a idéia de que o indivíduo age em seu próprio
benefício ganhou impulso ainda maior. Não esqueçamos Adam Smith,
que foi o pioneiro a descobrir a importância dos mercados livres,
nos quais os participantes buscam seu próprio bem estar, de forma
independente, fazendo com que a economia atinja a eficiência.
Temos
que ter a consciência que a humanidade é composta de indivíduos
distintos, que não conhecem uns aos outros e que levam em
consideração seu próprio bem estar em primeiro lugar.
O
Wal-Mart não vende barato pensando no seu bem-estar, mas no dele.
Mas graças à ele pensar no bem-estar dele, nós somos beneficiados
com os preços competitivos.
Como
podemos então pensar num Sistema aonde a felicidade é plena, como
dizem os canalhas, alegando que os seres humanos podem e querem viver
harmoniosamente sem cobiçar o que é alheio e ajudando uns aos
outros?
“Somos
um exército, exército de um homem só...”
Fabiano
Holanda, Montréal, Fevereiro de 2002.

No comments:
Post a Comment