“A
riqueza de uma nação se mede pela riqueza do povo e não pela
riqueza dos seus príncipes”.
Adam
Smith
O
governo do PT, recém vencedor das eleições presidenciais de 2002,
terá pela frente alguns obstáculos e dificuldades. O primeiro deles
está relacionado em como realizar as expectativas dos seus cegos,
obstinados e idiotas eleitores.
Essa
horda de jumentos não votou em Lula esperando que seja humano e
resolva os problemas solucionáveis, mas que ele faça milagres. E
pelo que se sabe, Lula é barbudo mas não tem nenhum parentesco com
Jota Cristo e nem de longe pode ser chamado de santo. Pelo menos de
nenhuma igreja registrada em cartório.
Mas
conseguir provar que Lula não é Antônio Conselheiro é uma
missão impossível. Temos um grande problema em pensar logicamente.
O brasileiro pensa ao contrário de todos, tem a sua forma particular
de pensar. Exemplo disso é que elegeram Lula pelos motivos errados.
Gilberto Amado dizia que ficava extremanente feliz quando conseguia
encontrar um brasileiro capaz de associar causa à consequencia.
Outro
obstáculo verdadeiramente cruel é conseguir associar as aspirações
da ala radical do PT ao mundo moderno. Aloýsio Mercadante terá
muitas dificuldades em explicar pros seus eleitores porque ele terá
que cumprir as metas do FMI, por exemplo. Grande parte do PT vai
debandar e criar um partido mais radical ainda pro lado esquerdo.
Os
Babás da vida e as Heloísa Helenas estão loucos com a
possibilidade de ter a chance e não fazer a bendita “Revolução”.
Será o mesmo que ter uma mulher na cama e brochar. A expectativa era
melhor do que o ato. Até porque para alguns, sonhar é bem melhor do
que conseguir.
Qual
será o intento do PT? Até agora temos uma incógnita. De toda
forma, eu gostaria de falar sobre o estado moderno, o estado sarado.
Não devemos deixar o estado cheio de empresas e atribuições. Será
que o PT conseguirá isso?
Acho
difícil, pois já cometeu o primeiro deslize, criando o famigerado
“Ministério da Fome”. O que é isso? Um Ministério pra
fomentar a fome? Luiz Gonzaga já dizia: “Uma esmola pra um
homem que é são, ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão”.
Até a Bíblia ensina a pescar em vez de dar o peixe. Mas o PT não
lê a Bíblia.
Mas
falar em Bíblia, temos que deixar de lado a doutrina de coitadismo
católica e partirmos pra doutrina protestante, que cada um tem que
fazer sua parte. Se não fizermos isso, estaremos em maus lençóis.
Caridade é muito bonito, no papel, mas de nada adianta, apenas
empurra o problema pra frente. O que tem que se fazer é pensar numa
maneira de ninguém não precise nem fazer e nem fazer caridade.
O
ponto principal que quero deixae claro é que governo bom é governo
enxuto. É um governo “sarado”, para usar uma expressão
modernosa. Estado moderno é estado modesto. Simples como colocar um
pão numa torradeira. O problema é que tem gente que nunca viu uma
torradeira.
O
governo tem que tomar conta de algumas coisas que justificam sua
existência e elas são: Segurança, educação até o segundo grau,
saúde, fiscalizar contratos e assegurar propriedade privada. No
mais, o governo tem que perder o excesso de peso. Tem que colocar o
peso últil no braço e tirar da barriga, onde o peso não é
aconselhável e nem saúdavel.
Paul
Johnson dizia que a capacidade destrutiva do indíviduo, por mais
perverso que ele seja, é minúscula. A capacidade destrutiva do
Estado, por melhor intencionada que seja, é ilimitada. Assim, o
governo tem que parar de se meter a fazer o que ele não sabe e se
concentrar no que ele precisa fazer. Um simples ato governamental
pode incorrer em catástrofes ou em atos geniais. Só que é
infinitamente mais fácil dele fazer asneiras. É como um elefante
puxando uma carroça numa loja de cristais. Não é nem questão de
má vontade.
No
campo administrativo é bom notarmos que o governo é bem diferente
de uma empresa. Isso tem que ficar bem claro. As motivações são
bem diferentes. Essa última se baseia no lucro, o primeiro se baseia
no desejo de serem reeleitos.
Um
recebe dos clientes a sua receita, o outro do contribuinte. As
empresas trabalham com competição, o governo com monopólio na
maioria das vezes. Uma pode tomar decisões a portas fechadas, a
outra tem que fazê-las democraticamente, somando lógico, os grupos
de interesse.
Outra
panacéia é pensar que ter muitas empresas estatais representa ser
um governo forte. No Brasil, acredita-se que para controlar uma
atividade, o governo tem que possí-la, não bastante o poder
regulatório. Mas na verdade o que acontece é o contrário. As
empresas possuídas pelos governo são muito mais rebeldes do que as
privadas.
No
campo dos investimentos, tudo o que o governo se mete a fazer tem que
ter um caráter gigantesco. Nunca é modesto. Talvez seja por medo de
dizerem que o goberno tá quebrado. Com isso temos os elefantes
brancos e os gastos desnecessários. Em termos de gozação, diz-se
por aí que um elefante é uma borboleta constrúida seguindo
especificações governamentais.
Em
campo trabalhista, é explicável a defesa de todos para com a
existência das empresas estatais. Advoga-se a favor da empresa
governamental por este ser um formidável empregador, ao contrário
da empresa privada, que não se sente obrigado a manter mão de obra
improdutiva.
Só
para dar um exemplo. A Petrobrás possui uma das menores taxas de
produtividade/funcionário entre as “Petros” de todo o mundo.
Mas, mesmo assim, de dois em dois anos, essa empresa faz um concurso
pra criar bancos de candidatos, preste a adentrar nessa caridosa
instituição. É uma coisa inacreditável. Qualquer pessoa que pense
um pouco vai perguntar: “Isto é uma empresa ou uma casa de
caridade?”.
Trabalhar
numa empresa estatal é sinônimo, na maioria das vezes, de estar num
local mamando diretamente das tetas do contribuinte, passando e-mails
de piadas e sacanagem, fazendo nada e ainda se gabando disso.
Eu
gostaria de saber como alguém sente prazer em passar a vida toda
mamando, sem produzir nada. É uma coisa altamente deprimente e
repugnante alguém se contentar em ser um medíocre, se contentar
apenas em ter um bom salário e quando chegar a velhice ver que não
fez nada de produtivo e que sua passagem pela terra não foi
percebida por ninguém. Morreu um burocrata, um carimbador de papéis,
um pobre-rico. Eu planejo muito mais para a minha vida.
Piadas
em torno do serviço em empresas públicas abundam. Ótima é aquela
do veterano de guerra que perdeu os testículos numa explosão de
granada e foi aprovado em um concurso público para trabalhar em uma
repartição qualquer dessas aí da vida. O chefe dele disse no seu
primeiro dia de trabalho: “O expediente começa as 8 da manhã,
mas você pode chegar às 11 da manhã, pois das 8 até as 11 ficamos
aqui somente coçando o saco, como você não tem saco, tá
dispensado!”.
Outro
piadista disse: “Quando me aposentar, quero continuar
trabalhando, mas em uma área estatal de planejamento. A razão é
simples. Ali você planeja o que não executa e depois avalia o que
não fez”.
Mais
importante, nunca devemos esquecer que as empresas públicas não sõ
do público. Elas são dos políticos, dos tecnocratas e agora mais
do que nunca, são reféns e gueixas dos sindicatos. E ainda encontro
alguns palhaços que alegam que as leis trabalhistas andam a favor
dos empresários.
Ora,
só faltam estuprar os empresários com impostos e impossíveis leis
trabalhistas e ainda reclamam de falta de emprego. Contradição,
não? Quebram o empresário e querem emprego. É de fato muito
engraçado.
Ninguém
percebe que tornando o emprego caro, o empresário não vai
contratar. Em resumo, é uma luxúria total aos que já estão
empregados e que se fodam os que estão desempregados. Ou alguém já
viu sindicato ajudando desempregado? Eles só ajudam quem contribui.
Desempregado não contribui.
Se
o empregado fosse barato, como nos Estados Unidos e nos países
sérios, o empregador os contrataria menos assustado em perder as
calças empenhadas na Caixa Econômica Federal, para pagar
suas dívidas trabalhistas. Isso não é difícil de perceber. Mas
eles querem o céu com sexo e isso não existe. Ou céu ou sexo.
No
campo econômico, o que tenho a dizer é que é demais concentrar o
poder econômico na mão do Estado, pois é dar poder demais a esse
Leviatã. Já basta que tenha o monopólio do poder político. Como
dizia o ilustre professor Roberto Campos: “Dar monopólios
econômicos ao estado é correr o risco de transformar um eleitor
independente em um cliente dependente”.
O
papel do governo é navegar, não é remar. Prestar serviços, por
exemplo, é remar e o governo não é bom remador. As pessoas tem que
perceber que o governo não foi feito pra remar. Ele é bem mais
importante. Ele tem que dirigir a embarcação. E ninguém pode remar
e conduzir o barco ao mesmo tempo, a não ser que seja um barco muito
pequeno, o que não é o caso do Brasil.
Peter
Drucker no seu espetacular “The Age of Discontinuity”
fortalece o que pretendo esclarecer. Diz ele: “Qualquer
tentativa de combinar a ação governamental com o fazer, paralisa a
capacidade de decidir, pois eles são órgãos decisórios e não
estão focalizados em executar, nem equipados para isso. Essa não é
sua preocupação fundamental”.
Uma
frase de Ronald Reagan, um dos ícones do liberalismo econômico,
aquele que contribuiu juntamente com a Dama de Ferro, Margaret
Tatcher, para a continuidade do capitalismo liberal, descreve bem o
que estou defendendo aqui. “O governo não é a solução, é
parte do problema”.
Desejo
muita, muita, mas muita sorte ao povo brasileiro. O governo que acaba
de ganhar as eleições vai deixar um buraco tão grande nos corações
e na esperança dos brasileiros, que não sei se iremos nos
recuperar. Além, de claro, vazias as prateleiras das lojas.
Esse
populismo, acenado pelo Ministério da Fome, aliado com o
nacionalismo acentuado, ao defender veementemente a fabricação
nacional das plataformas da Petrobrás, pode nos levar à ruína. Sem
esquecer a política de enriquecer as castas e jogar migalhas aos
pobres, que é marca registrada das esquerdas no mundo inteiro. Fidel
Castro é um dos homens mais ricos do mundo, enquanto os cubanos não
tem papel higiênico pra limparem suas bundas.
Com
todo esse aparato, chances são, enormes, que o Brasil seja enterrado
de vez no clube daqueles que ficam melhor sonhando do que
conseguindo.
Fabiano
Holanda, Montréal, Novembro de 2002.

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