“Se
você colocar o governo pra gerenciar o deserto do Saara, em cinco
anos faltará areia”.
Milton
Friedman
Talvez
o Brasil seja campeão mundial no torneio de povo que se deixa
enganar facilmente. O pobre coitado tupiniquim realmente caiu no
conto da sereia contado pelo político de que um pais só é forte se
tiver muitas empresas estatais e que a maioria das empresas são
parte da estratégia e segurança nacional.
Porque
a enorme resistência do brasileiro quanto às privatizações?
Primeiro, temos o corporativismo burocrático, que tem medo de perder
poder político e mordomias. Segundo, a mente socialista do
brasileiro, que se apega ao mito do estado provedor. Terceiro, o
nacionalismo que exagera o valor das riquezas naturais e mistura
controle estratégico com gerencia governamental. E por fim, o
funcionário dessas estatatais, que possuem salário maior e melhores
benefícios que os seus pares das empresas que precisam dar lucro. A
empresa estatal não precisa dar lucro, não sabia? Se ela der lucro,
ótimo, o cidadão não ganha bulhufas. Se ela der prejuízo, o
cidadão paga essa conta. Negócio bom, não é?
A
idéia de privatização começou na Inglaterra, ainda em 1970, em um
livro de David Howell, chamado “A new Style of Government”.
Já nos anos 80, a Dama de Ferro, Margaret Tatcher, deu voz a essa
idéia, criando um programa revolucionário de privatizações na
Inglaterra. A verdadeira revolução se deu aí. Margaret Tatcher e
Ronald Regan deram mais pra humanidade do que qualquer teórico
rastaquera de esquerda, inclua aí nessa lista Karl Marx, Gramsci,
Sartre, e até Saramago.
A
partir disso, a onda de Tatcher contaminou aquelas mentes pensantes
do mundo inteiro, deixando irados os que se aproveitavam das estatais
pra enriquecimento ilícito e barganha política. No Brasil, o maior
professor da distribuição de cargos como forma de barganha nas
estatais foi o senhor Tancredo Neves, um safado que o Brasil não
chegou a conhecer porque morreu antes de mostrar sua cara.
O
pensamento de Tatcher se tornou altamente exportável, inclusive
fazendo a cabeça do ator presidente americano Ronald Reagan. Esse
boçal, como diziam os opositores, salvou os Estados Unidos do
governo desastroso de Jimmy Carter, que inclusive abriu os Estados
Unidos pra assassinos cubanos.
Mas
voltemos à 2002. A corrupção do orçamento anual governamental no
Brasil já explica por si só que não precisamos de empresa
estatatal. É uma deformação estrutural. Cria um ambiente hostil ao
bom senso e à normalidade.
Temos
um governo gigante, inchado. Como as empresas vão sobreviver se não
for com as benesses do estado. Não justificando, mas explicando pra
um marciano, os sobrefaturamento das empresas que prestam serviço ao
governo, na maioria das vezes, se dá pela contumaz demora do governo
em pagar as contas que está devendo à essas empresas.
Alguém
pensa que colocar alguns deputados ou senadores atrás das grades ou
prender alguns empresários vai resolver o problema? A não ser gerar
um sentimento temporário de justiça, a fuleiragem continua. Não
tem como mudar se tivermos um estado gordo.
Para
consertar isso, somente se diminuirmos o governo, desregulamentando e
privatizando essas empresas de posse do governo. Temos também que
abrir todas as áreas à competição e investimento internacional.
Melhorar os pagamentos do governo, que adora cobrar impostos em dia e
quase nunca pagar o que deve em dia. Devemos inclusive pensar em
privatizar a Previdência Social.
O
próprio Plano Real só obteve o sucesso que teve pois se preocupou
em privatizar algumas empresas, buscando diminuir o tamanho da dívida
interna e baixar os juros, caso contrário, nem água. A inflação é
impressão de papel moeda. A alta dos preços é consequência dela.
E como não imprimir papel moeda com tanta empresa estatal?
O
famoso economista Keynes já dizia: “Não é função do governo
fazer um pouco pior ou um pouco melhor o que os outros podem fazer e
sim fazer o que ninguém pode fazer”. Porque não se concentrar
em educação de base, segurança e saúde?
Além
de desonerar o governo, a privatização traz ganhos de eficiência,
pois o que menos se encontra no estado é talento gerencial. Sem
falar no alívio fiscal que vai muito além do valor da venda das
estatais. Eliminando déficits e subsídios, economiza-se novos
investimentos do governo e aumenta a receita de impostos, pois os
compradores vão estar investindo.
Politicamente,
separa o poder político do poder econômico, evitando que o governo
concentre os dois poderes. Essa separação favorece a ética
econômica. No Brasil, diminui a taxa de corrupção. A maioria dos
escândalos está nos contratos de empreteiros e fornecedores com
empresas públicas. Não existe concorrência e sim favorecimentos.
Uma
empresa estatal quando está no prejuízo, não pagam impostos e
quando tem lucro, pagam dividendos irrisórios, ou ampliam seus
funcionários ou fazem doações aos seus fundos de pensão. Ou seja,
elas são elas, não são porra nenhuma do brasileiro.
Abrindo
mão dessas empresas, o governo passa a ser sócio oculto, recebendo
impostos, caladinhos, sem opinar em nada. Passará a ser um
regulador, em vez de operador. Mas a começar pelo funcionário de
uma estatal, o pior canalha do Brasio, ninguém quer mudar nada. E
depois reclamam disso e daquilo. O Brasil é uma colcha de retalhos
não costurada.
Fabiano Holanda, Montréal, Dezembro de 2002.

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