Thursday, 15 October 2020

O terror está ganhando

 


        Nesse mês de setembro, irá completar um ano que um grupo de rebeldes chechenos manteve preso em uma escola um grupo de 1.100 pessoas, entre alunos e professores, em Beslan, na Rússia.

 

        Sabe-se que pelo menos 331 pessoas morreram, incluindo 186 crianças, na operação de salvamento, quando as forças especiais de segurança russa invadiram a escola com granadas incendiárias e tanques.

 

        A equivocada missão de salvamento orquestrada pelo Kremlin foi mais um vexame pra imagem pública do presidente Putin.

 

        O governo russo não têm falado muito sobre o assunto, numa clara tentativa de fazer com que a lambança saia da cabeça das pessoas aos poucos, da mesma forma que a polícia londrina não fala muito sobre o fuzilamento do brasileiro Jean, em uma estação de metrô de Londres.

 

        No caso russo, acredito que o silencio deliberado é aliado com a incompetência generalizada das forças de segurança russa. Pra se ter uma idéia, um ano depois do ocorrido, eles conseguiram identificar somente 21 dos 31 terroristas mortos na operação.

 

        Porém, e como sempre, podemos enxergar uma questão política por trás da morte de inocentes. Aslan Maskhadov, um líder da guerrilha chechena considerado moderado, se ofereceu para negociar a libertação dos reféns, mas o governo russo não queria correr o risco de transformar Maskhadov num herói da situação (inclusive, os russos o mataram em março desse ano). E enquanto isso, a guerra da Chechenia promete mais horror.

 

        O líder checheno Basayev, que todos acreditam que planejou o terror em Beslan, disse recentemente que outros ataques do mesmo estilo irão ocorrer com certeza, muito em breve.

 

        Enquanto isso na ala árabe da baderna, cresce o cartaz daquele que parece rivalizar as atenções no mundo pop terrorista com o outro astro internacional, o senhor Bin Laden. Eles fazem de tudo pra ocupar a cadeira numero 1 da maior gangue de desordeiros que o planeta já teve o desprazer de conhecer: a Al-Qaeda.

 

        O nome desse outro superstar do terror é Abu Mousab Al-Zarqawi e é o líder da Al-Qaeda no Iraque.

 

        Dizem que o Al-Zarqawi tinha sido gravemente ferido ou morto há alguns meses atrás. Porém, desde que correu essa noticia, sua organização têm praticado ataques cada vez mais bárbaros no Iraque, inclusive contra civis.

 

        Zarqawi almeja o sucesso, contudo não concentra suas ações nos Estados Unidos. O seu negocio é a Europa, inclusive, especialistas afirmam que ele está planejando um ataque grandioso pra Europa em breve.

 

        Imagino até a cena macabra. Zarqawi pergunta:

 

        - Bin atacou o World Trade Center e o Pentágono. O que vou fazer pra superar esse grande feito?

 

        E faz uma reflexão:

 

        - Sou obrigado a concordar que foi um grande feito, um verdadeiro golpe de mestre contra os infiéis, mas agora os Estados Unidos mantêm forte vigilância nos aviões, assim eu vou pra Europa, onde eles abrem mais as portas pros muçulmanos.

 

        Para no fim indagar novamente:

 

        - Quantos infiéis eu terei que mandar pros braços de Alá pra que o mundo e os meus fieis me considerem melhor e mais poderoso que o camarada Bin? Ele é o meu ídolo mas eu sou melhor, pôxa vida, perguntem aos americanos no Iraque...

 

        Às vezes eu acho que esses rapazes estão de brincadeira. Seja o Basayev na Rússia, o Bin Laden, ou o Zarqawi, todos eles estão agindo de acordo com a conivência internacional.

 

        A comunidade internacional adota a máxima canalha de que “os inimigos dos meus inimigos são meus amigos” e se dão por satisfeitos. Os intelectuais de esquerda ficam felizes quando um ataque terrorista é bem sucedido, pois isso de certa feita é uma afronta ao “demônio imperialista” e seus aliados. 

 

        E essa postura não fica somente nos intelectuais. Atinge também governantes, empresários e povos de vários lugares do mundo.

 

        Enquanto não passarem a combater esse tipo de ação da forma como deve ser combatida, ataques ocorrerão em proporção geométrica e cada vez menores serão as notas nos jornais tratando desse assunto tão oportuno para alguns e terrível para outros.

 

Fabiano Holanda, Brampton, Ontário, Setembro de 2005.

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