Thursday, 15 October 2020

Cartilha Blairiana


  

        Muito se fala no ousado e corajoso plano de leis visando o combate ao terrorismo na Grã-Bretanha e alega-se que este cerceia os direitos humanos e as liberdades individuais. Mas, quando procurei ler sobre esse plano, foi impossível não fazer uma comparação com o que acontece aqui no Canadá, país que resido há quase seis anos.

 

        Os políticos canadenses na sua maioria, talvez temendo uma repercussão internacional (afinal, eles são considerados os “bonzinhos” perante o mundo) ou apenas por serem hesitantes por natureza, ainda não perceberam o perigo que correm e não tomam medida alguma nesse sentido. Ao contrário, de certa forma, até incentivam a vinda de elementos nocivos ao país.

 

        John Howard da Austrália e Tony Blair da Inglaterra, felizmente pensam diferente. O problema é que o Canadá quer de fato cultivar essa imagem de “país bonzinho e acolhedor” e termina, inocentemente, abrindo uma porta para indivíduos inescrupulosos e com intenções escusas.

 

        Acredito também que eles pensam que sendo permissivos com essa gente, eles não iriam bagunçar aqui dentro. Ledo engano, pois o camarada Laden já anunciou que o Canadá está na alça de mira da sua temida gangue.

 

        E a historia também mostra o contrario. Se não mostrar pulso, a tendência é ser cada mais desrespeitado. Enquanto isso, lá do outro lado do oceano, as medidas de Blair causam náuseas nos “politicamente corretos”.

 

        E aqui? Alguém pode imaginar o Canadá deportando, em curto período de tempo, cidadãos canadenses naturalizados que advogam em causa da violência?

 

        Ou que o governo canadense monitore websites, livrarias, centros comunitários ou associações que exaltem o extremismo? Não, não dá pra imaginar. Mas é isso que Blair pretende fazer em sua terra natal.

 

        Pela proposição Blairiana, qualquer pessoa que tenha tido alguma participação ou ligação com o terrorismo, em qualquer lugar do globo terrestre, terá asilo político negado na Inglaterra.

 

        E no Canadá? Se for negado lá, com certeza será aceito aqui. O Canadá aceita todo mundo que chega e as leis canadenses de imigração permitem que o candidato à refugiado aguarde a resolução do seu caso dentro do país, com direito a mesada do governo e plano de saúde.

 

        Devido a essa abertura, o Canadá tem sido um santuário de terroristas e pessoas de má índole. 

 

        Quer saber como ser qualificado pra um processo de refugio desses? Basta ser cidadão de um país com problemas de guerra ou complicado politicamente e conseguir chegar ao solo canadense.

 

        E mesmo eles desconhecendo seu passado, você tem o direito de habitar aqui até que seu processo seja julgado, o que leva na maioria dos casos uns três anos.

 

        Entretanto, acredito que tempos de guerra são tempos de guerra e não há outra atitude a tomar senão atitudes de tempos de guerra. É necessário identificar os “cabeças”, pendurar no pau-de-arara e saber tudo o que planejam e quem está envolvido nessa guerra. Só assim poderão desmantelar as chamadas “células adormecidas” de terroristas.

 

        Isso é certo? Provavelmente não. Mas explodir bombas e mais bombas na casa dos outros, matando trabalhadores em transportes públicos também não é.

 

        Alem disso, Blair também propõe uma comissão para ajudar a integrar o direito de liberdade dos muçulmanos e sua cultura com a cultura e tradição britânica, o que eu acho corretíssimo. Acabou-se o tempo de moleza.

 

        Quer morar lá? Se enquadre. Não queira transformar o local que chega em Pequeno Paquistão, Pequeno Irã, etc, etc...

 

        Na minha opinião, os pontos de Blair não interferem nos direitos individuais e liberdades existentes. Somente interfere diretamente na vida daqueles que abusam desses direitos para praticarem violência.

 

        A liberdade continua do mesmo jeito para todos os homens de bem, que não pregam uma violenta remoção da liberdade dos outros homens de bem.

 

Fabiano Holanda, Brampton, Ontário, Outubro de 2005.


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