“O
Brasil me parece ser o único país do mundo onde ser de esquerda
ainda dá uma conotação de prestígio”.
Roberto
Campos
Perplexos e confusos feito uma barata após receber uma forte dose de inseticida, é assim como se sentem os canhotos espalhados pelos quatro cantos do planeta. A sempre exemplar França lher pregou uma peça. A derrota de Lionel Jospin coloca uns óculos no rosto daqueles que não podem e não querem enxergar o óbvio ululante. A ida de Le Pen ao segundo turno das eleições presidenciais francesas não nos mostra o que os franceses querem, mas o veto de Jospin deixa claro o que eles já não querem mais.
E o pior de tudo isso é que no Brasil, como um dos últimos redutos dessa canalha, ser de esquerda é sinônimo de intelectualidade, de falta de alienismo, de engajamento político, de ser um indivíduo possuidor do mais apurado censo crítico, de ser também o maior dos humanistas e principalmente, de ser um solucionador de problemas, mesmo os inexistentes, pois como dizia Roberto Campos, “São uma solução à procura de problemas”.
Não há nada sob o sol e nem acima dele para que esse pessoal não tenha uma opinião formada. Opinam sobre uma gama excessiva de assuntos, afinal de contas, são intelectuais, não é? Ouvi falar que, quem muito abraça, pouco aperta.
Acusam os que não comungam dessas idéias estapafúrdias de reacioários e radicais. Pena que até hoje nunca vi ninguém mais extremista do que a esquerda tupiniquim, nem os jihadistas.
Em pleno ano eleitoral presidencial e vendo a ascensão do insistente Luis Inácio nas pesquisas, resolvi, por curiosidade, ler e tentar analisar um conto do vigário, isto é, o plano de governo do PT. Visitei a página do partido e ali vi que, além de falar o óbvio, de descreverem a situação atual sob a ótica perversa deles e dizer que vão melhorar isso e aquilo, pois isto está errado, aquilo não pode ocorrer, etc., minha dúvida continuava ao longo de toda seborréia, de 76 parágrafos, incluindo aí uma descrição histórica e ilusionista. Como farão pra chegar ao que prometem?
No último parágrafo, last but not least, encontrei o que buscava desde o início. Escrita pelo próprio intelectual elaborador da gambiarra: “As diretrizes de programa de governo anteriormente estabelecidas não tem a pretensão nem de detalhar propostas de ação, nem de abarcar todos os assuntos e aspectos que estarão sob a responsabilidade do governo democrático e popular”.
É brincadeira, né?
Deu uma vontade enorme de entrar no PT. Massagear meu ego, sabe como é? Ser chamado de intelectual. Eu me filiaria ao partido, escreveria um monte de coisa linda, que amo todo mundo, cito uns seis ou sete papangus como Sartre e outros imundos e voilá, o bronco virou intelectual!!
Infelizmente, tenho outros planos. Sou daquela turma que quer saber como faremos pra atingir tal resultado. Aprendi cedo que não se emagrece com massagem.
O PT tem a receita certa pra acabar de acabar o já tão combalido Brasil. Vamos à algumas delas.
Querem universidade gratuita pra os pobres, quando na verdade, 70% dos alunos podem pagar uma universidade privada. Porque não a distribuição de um cheque-bolsa pro aluno pobre e ele escolhe onde estudar? Não seria uma opção melhor do que gastar dinheiro com um monstro chamado Universidade Federal e se concentrar no ensino secundário, como fazem os países desenvolvidos? Me parece que a intenção de manter as UFs não somente é pra aparelhar o pensamento crítico, com ajuda dos professores, deformando assim o pensar do país.
Bradam contra a privatização alegando que perderíamos nossas empresas, mas pergunto, quem disse que as empresas públicas são nossas? Você que está lendo agora, é dono de alguma empresa pública? Dá pitaco na administração? Tem participação nos lucros? Claro que não!!! Então como a empresa é sua? Ela é do tecnocrta e do político, esses sim, os maiores beneficiados do dinheiro alheio... pois é assim, o dinheiro que as sustenta é nosso, mas nós não temos nada de lucro em troca, a não ser serviços que deixam a desejar.
Além de tudo, a empresa púbica é a maior fonte de corrupção do mundo. Sabe qual o maior problema da empresa pública? Tiraram dela o direito de falir. Sem esse direito, o ânimo de competição não existe, afinal, competir pra quê?
Não há governo de esquerda sem uma rede enorme de empresas estatatais. Ali eles montam seus esquemas e controlam o que seria uma fonte de renda inesgotável pro alto clero do partido.
O que existe na verdade nessa turma é uma enorme frustração, pois foi altamente depreciado o capital intelectual investido na utopia socialista e seria muito difícil e deveras triste se dar conta e reconhecer a vitória da economia de mercado num contexto de hegemonia das democracias capitalistas. Ilusões são como drogas, difíceis de largar, mas quando se larga, faz um bem danado... eles não largam!!
Nas universidades federais do país, eles propagam uma imagem forjada que o liberalismo econômico possui uma intrinseca indiferença social e que o dirigismo estatal só busca a justiça social. Chega a dar sono.
A esquerda brasileira é uma turma folclórica e engraçada. Deveriam ser estudados pelo mestre Câmara Cascudo, se vivo ainda fosse. Em qual país sério do mundo, Lula, Brizola e agora o Anthony Little Boy, ex-governador do Rio de Janeiro, seriam considerados líderes políticos e não indivíduos excêntricos e passíveis de usar uma camisa de força ou um par de algemas?
O tal do little boy, sabido como só ele, alega que ao ganhar pra presidente, irá fazer a transição do capitalismo pro socialismo cristão. Quanto de besteira há nessa idéia, alguém pode me dizer?
Alguém pode dizer que existe tudo no Brasil, menos capitalismo. No máximo um pré-capitalismo, mas eu diria que o que existe é um mercantilismo. Mas o pior, socialismo cristão? Vou pedir ajuda aos universitários pra pensar nisso...
A petralhada reclama do governo de FH mas eu pergunto a essa gente e não sabem dizer presidente melhor na historia do Brasil até agora. Querem que o homem faça milagres e esquecem que para uma nação ser próspera, não ocorre do dia pra noite. Além do que, ele não pode acabar com um desserviço de séculos. Como dizia Nelson Rodrigues: “Subdesenvolvimento não se improvisa, é obra de séculos”.
Como eles querem que esse quadro seja revertido do dia pra noite? Porque acham que o caminho traçado é errado?
O pior são alguns amigos meus, que dizem que vão votar no PT não porque concordam com suas idéias, e na verdade a maioria nem desconfia quais são essas idéias, mas porque alegam que “TÊM” que mudar o que está ai, que tem que mudar pra melhorar, que tem que provar o PT no poder pra saber se é bom... além disso me causar uma cólera incontrolável, fico pensando...
Será que tenho que dar meu rabo ou comer merda pra saber que isso não é bom? Essa história de toda experiência é válida não cola comigo. Essas escolhas baseadas nessas cretinices me tiram do sério. Se alguém sair um pouco da preguiça e procurar saber o que esses caras querem, desistem na mesma hora, eu tenho certeza. Ou então merecem mesmo se fuder.
O problema dessa turma chegar na presidência do Brasil um dia é que eles irão pegar um retorno do progresso e voltar à estaca negativa. Seria como estar em Natal e nosso destino fosse Recife, num carro problemático e lento e estamos um pouco depois de Parnamirim. Em vez de consertar o carro e tentar ir frente, os petelhos querem fazer a volta e ir até São Gonçalo, com direção à Ceará-Mirim. Em vez de chegar à Recife, iremos chegar à Cafarnaum.
Pena eu tenho dos cobaias brazucas que por ventura venham participar dessa macabra experiência lulística no poder, caso ele vença. Mas caso aconteça, espero estar bem longe, como já estou, pois de cobaia não tenho nada. E se vocês estiverem mesmo a fim de pagar pra ver, que Deus tenha piedade de vós! Amém!!
Fabiano Holanda, Montréal, maio de 2002.

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