“Quem
se preocupa sinceramente com os pobres deve buscar, obsessivamente,
elevar a demanda de mão-de-obra através de medidas como: 1) A
privatização de empresas estatais, pois o governo falido perdeu a
capacidade de investir; 2) A eliminação de restrições ao capital
estrangeiro, que geraria empregos e traria tecnologia; 3) A
diminuição dos encargos sociais e burocráticos, que oneram o custo
da contratação.”
Roberto
Campos
A
minha relação com o telefone sempre foi de amor e ódio. Sempre
gostei de usá-lo, mas nunca gostei de falar demais por ele. E sempre
gosto de telefonar. Receber o telefonema já não é uma das minhas
coisas favoritas. Mas o fato é que o meu primeiro contato com a
invenção de Graham Bell, esse grande canadense, foi com um aparelho
que se localizava na sala da minha casa. Ficava em cima de um móvel
e tinha um cadeado, para que somente as ligações fossem feitas com
autorização de quem pagava a conta, no caso, o meu pai, o
proprietário do 221-0274.
Parece
uma história medieval, o que estou contando aqui. Os nascidos dos
anos 90 vão ficar perdidos igual a mim quando falam em
escarradeiras. O cadeado era tipo um cinto de castidade da
comunicação. O dono ciumento do aparelho queria manter a virtude da
conta preservada e assim metia a tranca. Como o brasileiro era e
sempre será um sujeito inventivo, logo se aprendeu que ao bater na
lingueta que segurava o gancho reproduzia o número que se desejava
discar.
E
as contas voltaram aos píncaros, pois a diversão da rapaziada era
ligar pro Disque-Amizade, 145, pra bater papo e atrapalhar a foda de
quem por ali tentava planejar. O cara todo galante tentava cantar a
menina e quem estava escutando a conversa gritava: “Ele é um
fudido, tá liso, e é casado!!”, antes que o cara pudesse se
explicar, a menina desligava. E o cara passava a nos esculhambar, e
pegue palavrão de todo lado.
O
grande professor de matemática Hélio Barra Boa ia me dar aula
particular na sétima série na parte da tarde. Ele dizia pra eu
fazer os exercícios e cochilava com os braços cruzados. Quando eu o
acordava, ele perguntava se eu havia feito, o que eu nao havia pois
não sabia de porra nenhuma, e ele pedia pra usar o telefone. Com
maestria driblava o cadeado com as batidinhas na lingueta e ia bater
papo com as empregadas que queria comer. O resultado, claro, fui
reprovado, pois o temido professor Luzimar não alisava o couro de
ninguém, muito menos o meu e o de Barra Boa, o terror das empregadas
domésticas.
O
145 era o percursor do MIRC, do ICQ e do bate papo do UOL. Até que
por meados de 1995, meu amigo Alberto Campos me apareceu com um
telefone móvel. Era um PT 550 da Motorola, que se pagava pra ligar e
pra receber. Segundo ele, só haviam até aquele momento, dez
unidades em todo o Rio Grande do Norte. O do pai dele e de mais 9.
Era uma fase de teste. A bateria durava 2 horas.
Eu
demorei a ter um. Foi só com a TIM e apesar de ser ainda um número
analógico, já foi no fim dele. Logo chegou a BCP e eu adquiri um
telefone Digital, sob a batuta do ilustre Juliano Sammy. Até sair do
Brasil, eu tinha um Nokia.
Mas
voltando um pouco na história, ter uma linha de telefone em casa era
uma coisa difícil de se obter. Tinha uma fila enorme de espera e
tínhamos que pagar uma fortuna no mercado paralelo. Eu sabia que
alguém tinha posses quando este tinha duas ou mais linhas em casa.
Chegavam a cobrar até o valor de um automóvel por uma linha. A
outra opção era esperar na fila da estatal até cinco anos.
A
embratel, criada em 1965 e a Telebrás, criada em 1972, não tinham
mais fôlego pra acompanhar os investimentos necessários e o
presidente Fernando Henrique precisava privatizar urgentemente a
telefonia brasileira. Evidentemente, a esquerda nojenta brasileira
foi contra e fez de tudo pra impedir. Hoje, no começo dos anos 2000,
alguém é contra essa privatizações? Nem os canalhas esquerdistas
falam mais nisso.
Em
16 de agosto de 1995, foi promulgada a emenda constitucional 8, que
flexibilizava as telecomunicações, mas a cegueira brasileira acerca
de como seria feita era uma vergonha. Ficamos patinando até 29 de
julho de 1998, quando o governo vendeu os 20% de ações que ainda
tinha na Telebrás. Arrecadou 22 bilhões de reais, 63% acima do
lance inicial. Houve logo um investimento da ordem de 100 bilhões de
reais no sistema.
O
esquerdista acredita que o governo tem que inventar dinheiro, mas não
temos como fazer isso. O melhor mesmo é deixar a iniciativa privada
tomar conta das empresa e ainda administrá-las e o governo recebe os
impostos, sem ter dor de cabeça. Além de que nós, os pagadores de
impostos, não temos que investir nosso dinheiro na modernização
das instalações dessas empresas e muitos arcar com o passivo
trabalhista dos super remunerados e super protegidos funcionários
públicos.
Dizem
que não há melhor programa social do que um emprego. É verdade.
Mas uma privatização também não é longe disso. Uma distribuição
enorme no número dos telefones no país, em um curto espaço de
tempo. Em 1998, quando a privatização foi realizada, tinhamos 20
milhões de linhas fixas no país. Em 2001, já tínhamos 47 milhões.
Já o telefone celular, tínhamos 7.5 milhões de linhas em 1998, em
2002, já tínhamos 35 milhões de linhas.
E
o que perdemos com essa privatização? Porra nenhuma. O Brasil
deveria agora privatizar Petrobrás, Caixa, Banco do Brasil e tudo o
que vê pela frente. A modernização, a competição e o cliente
irão agradecer.
Mas
o discurso da canalha comunista que agora governa o país é sempre
mentiroso. Nada irá me espantar caso o molusco saia repetindo por aí
que as pessoas agora tem telefone por causa dele, apesar dele ter
sido veementemente contra a privatização da telefonia.
O
grande Raul já nos anos 70 dizia: eu já paguei a conta do meu
telefone, eu já paguei por eu falar, eu já paguei por eu ouvir...
muita gente queria ter esse prazer e não podia. Com a privatização,
foi possível para muita gente ter esse gasto a mais, que se trata na
verdade de uma grande infra-estrutura que necessitamos para
pavimentar a grande estrada que nós vemos na nossa frente nesses
anos 2000...
Aqui
nos Estados Unidos e Canadá, não pagamos pulso... será um grande
avanço quando isso acontecer no Brasil... lembro ainda que tínhamos
que acessar a internet discada à meia noite e um minuto e desligar
as 5:59 da manhã, pois nesse período era cobrado somente um
pulso... e no meio daquela música massa que estavámos baixando há
3 horas no Napster, tínhamos que desligar... e tem gente que
ainda tem saudade!!! Viva a privatização, viva a facilidade, viva a
competição!!!
Escrito
em Boston, Massachussets, em agosto de 2003.

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