“Nenhuma
nação jamais foi arruinada pelo comércio.”
Benjamin
Franklin
Existem
várias interpretações acerca desse assunto. Uns dizem ser uma
prática assombrosa. Outros alegam ser necessária. Eu, de minha
parte, abomino qualquer parte de protecionismo. Acredito ser uma
droga, que causa uma sensação de bem-estar imediato, mas com um
efeito colateral perverso.
Eu
até já tinha desistido de falar sobre o Brasil, por acreditar ser
um caso perdido. Mas não posso me furtar a fazer isso quanto a este
tema. O Brasil tem a mania de copiar somente o que não presta dos
outros. O que é bom, ele ignora.
Nós
estamos no grau de desenvolvimento que estamos única e
exclusivamente devido à casualidades. O planejado pelos gênios que
pelo Brasil passaram era para que nós estivéssemos em pior
situação, mas como nem nos prejudicar de maneira ordenada nós
sabemos, nos encontramos nesse meio termo devastador.
Temos
exemplos de coisas maravilhosas mundo afora. Mas em quem nos
espelhamos em termos políticos e econômicos? Cuba e Venezuela. Em
termos culturais? França. Dos Estados Unidos só conseguimos extrair
práticas que também não são boas, como o protecionismo. O amor
pelo país que os americanos possuem nos não conseguimos captar.
Dos
modelos cubanos, venezuelanos e franceses me furtarei a comentar por
enquanto. Falemos do protecionismo. Se analisarmos a literatura
econômica, veremos que o livre comércio é a melhor coisa que
existe, pois as trocas internacionais possibilitam o enriquecimento
do conjunto dos países, desde que não haja intervenção
governamental, distorcendo os preços relativos. Essa verdade ficou
auto-evidente desde Adam Smith.
Agora
o que acontec é que os políticos enganam a população, alegando
que isso será um ganho para a nação e agradam os interessados que
irão ganhar diretamente com esse ato, como os empresários do setor
protegido e que provavelmente deram bastante dinheiro pra eleição
deste ou daquele senhor que aprova esse tipo de lei.
Quando
Bush sobretaxa o aço brasileiro, ele não está ajudando os Estados
Unidos como nação, ele na verdade está prejudicando, pois o que de
fato está fazendo é encarecer um insumo básico que terá reflexos
altistas nos preços em toda a sua cadeia produtiva. O mesmo ocorre
com o suco de laranja. Ao encarecê-lo, com impostos compensatórios,
ele apenas está prejudicando os consumidores. Nada mais. Em outras
palavras, está tolhendo a liberdade das pessoas comprarem produtos
melhores, à preços mais baixos.
Se
todos os países aplicassem esse tipo de política ao mesmo tempo,
haveria uam crise catastrófica de escala mundial. O protecionismo é
prática nefasta da pior espécie, uma combinação de ignorância
dos muitos e ganância de uns poucos escolhidos, contra os interesses
gerais. A verdade é exatamente o oposto da crença popular.
Política
melhor seria absorver os ganhos de produtividade que os preços mais
baios internacionais podem gerar para a economia interna. Em uma
economia complea como a brasileira, “proteger” qualquer setor
isolado significaria perda de produtividade global para o sistema
como um todo. É emprobrecer toda a economia.
O
protecionismo foi uma caracteristica marcante da política industrial
brasileira desde os anos 30 até a liberalização do início dos
anos 90 do século passado. Sustentava-se em argumentos do tipo
“proteção à indústria nascente”, “defesa do interesse
nacional”, etc., mas justificava-se também por problemas de
balanço de pagamentos.
Constituia-se
num protecionismo que não possuía um propósito claro de
aprendizado tecnológico e nem prazo de vigência e obrigações em
termos de contrapartidas de desempenho por parte das empresas ou
industrias inteiras, beneficiadas.
Os
Estados Unidosse utlizam de práticas protecionistas mais por apoio à
grupos que ajudam a eleger os presidentes do que por lógica. Quem
tem o mínimo de juízo discorda disso. Alan Greenspan, presidente do
FED (Federal Reserve, o Banco Central americano) recentemente
encorajou os americanos a não transformarem a ansiedade com a perda
de empregos no país em apoio à medidas protecionistas de comércio.
Segundo ele, tais proteções podem prejudicar mais do que ajudar a
situação econômica dos Estados Unidos.
“Como
a história claramente mostra, nossa economia é mais bem servida por
um vigoroso compromisso com a economia global”, disse Greenspan. Ao
perceber que novas medidas protecionistas estavam sendo propostas,
ele alertou que elas podem ser auto-destrutivas.
“Essas
supostas curas podem piorar a situação mais do que melhorar”,
completou Greenspan. “Elas fariam pouco pra criar novos empregos e,
se os países estrangeiros decidissem retaliar, nós iríamos com
certeza perder postos de trabalho”.
Na
corrida pela campanha das eleições presidenciais, os democratas têm
atacado a administração Bush pelo fraco desempenho do mercado de
trabalho, dizendo que a migração dos empregos americanos para
países com mão-de-obra mais barata como Índia e China deveria ser
reduzida.
O
premier alemão Schroeder também comunga de opinião semelhante da
opinião de Greenspan. “Temos que convencer as pessoas de que a
economia global e o livre comércio oferecem as melhores chances de
desenvolvimento para todos nós. Mesmo quando, por causa do comércio
sem fronteiras, há risco de seu emprego ser transferido pra China,
Índia ou caso da Alemanha, pro Leste Europeu”, disse Schroeder.
“Uma coisa está clara: a resposta não pode ser o protecionismo!”.
O
exemplo mais despudorado do protecionismo são as reservas de
mercado. Estas não são mais do que o direito dado à alguns de
produzir o que os outros não querem consumir. Vejamos alguns
exemplos que assolavam o Brasil, pois apesar de alguns negarem
veementemente a história, eu acredito ser necessário olhar pra ela
de frente. Serei eu um idiota?
A
indústria do cinema no Brasil gozava de reserva de mercado, a
televisão não possuía. Resultado? As telenovelas tinham forte
aceitação internacional, enquanto que o cinema dependia de
exibições compulsórias.
A
eletrônica de consumo não possuía reserva de mercado. Resultado?
Não tinha ninguém contrabadeando televisão, geladeira ou rádios.
Por outro lado, a informática proporcionava altas batidas policiais
nos escritórios, pois todos os computadores eram contrabandeados. A
informática possuía lei que criava reserva de mercado pros
produtores nacionais de computadores.
Em
se tratando dessa tal lei da informática, percebe-se uma distorção
da realidade de maneira brutal. Com essa lei, o Brasil pediu demissão
da corrida tecnológica. Como a definição de informática abrange
toda a eletrônica digital, o atraso se espalhou por toda a indústria
manufatureira.
E
os Estados Unidos continuavam a exportar material de informática pro
Brasil através de contrabando, sem se arriscar em um investimento na
louca economia brasileira de então e melhor, não pagavam os
impostos, que seriam ótimos pro Brasil. É de dar risada de como
somos imbecis.
Aí
depois de tudo isso, venho parar no Québec, onde existe o maior
protecionismo de empregos que tive notícia até hoje. No Québec
existe hoje uma quantidade de imigrantes qualificados que excedem os
próprios quebequenses em termos de educação e qualificação.
Então
o que ocorre é que para garantir os empregos dos quebequenses (que
muitos nem se consideram canadenses e tem por capital nacional a
cidade de Québec e como bandeira nacional a bandeira azul do Québec
e não a vermelha e branca canadense), eles aplicam a boa e velha
reserva de mercado pra emprego.
Como
se dá essa manobra? Eles dificultam a concorrência onde o melhor
ganharia a vaga. Primeiro, criam provas impossíveis de obter
aprovação, até mesmo pros quebequenses, se precisassem fazer tal
prova. Mas como não precisam, a eigência vai pros píncaros da puta
que pariu. Segundo, a seleção também se dá pelo nome. Se não for
francês, oublie ça!!!
Por
fim, supervalorizam até subempregos, numa clara tentativa de mostrar
que fique bem claro pros imigrantes que: “se os subempregos jão
são difíceis do imigrante conseguir, imagine então empregos como
executivos, médicos, dentistas ou professores?
Já
vi caso de uma pessoa procurando emprego de Dishwasher e ter
que participar de exaustivo processo de seleção, com dinâmica de
grupo e o caralho. Outro foi procurar emprego de faxineiro e o patrão
quebequense exigiu dois anos de experiência, duas referências de
ex-patrões, exame médico e certidão negativa na polícia. É
brincadeira?
Enquanto
isso os vizinhos do sul, como os americanos são chamados aqui,
aceitam os melhores de cada área e estão pouco se fudendo se os
americanos burros ocuparão essas vagas ou não. Eles querem os
melhores e para isso não poupam esforços.
Não
sou nenhum profeta e nem vidente, apenas um observador de fatos. O
Québec vai entrar na lata de lixo da história, apesar do enorme
esforço que o governo federal faz para tentar ajudá-los a mudar
suas visões. Mas eles fazem tudo ao contrário das recomendações
federais, como adolescentes rebeldes.
A
horda de imigrantes não está satisfeita e os quebequenses não
estão preocupados. O descontetamento é geral por onde passo. E um
país que se presta ao papel de aceitar imigração em massa como
esse aqui, deveria olhar ora isso com mais carinho.
E
quanto ao Brasil, hein? O Brasil já entrou na lata de lixo da
história. Tomara que alguma alma caridosa consiga nos tirar de lá,
antes de irmos pra maquina de triturar!
Escrito em
Montréal, em Março de 2004.

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