A grande
vantagem de ser pai de gêmeas é que uma faz companhia pra outra. Minha companhia
é apreciada na hora da brincadeira, querida, mas o negócio mesmo é uma tá
brincando com a outra. E brigando também, lógico. Elas gostam da minha
companhia, mas se eu não tiver por lá na hora dos brinquedos, elas estão
felizes do mesmo jeito. Eu que tenho que me inserir e arrancar sorrisos.
Esse
é o segundo inverno delas. Tem um ano e meio de vida. Tudo que eu vejo nas
lojas eu compro pra elas brincarem. Um pula pula no meio da sala. Uma piscina
de plástico. Um urso gigante de pelúcia. Cadeiras. Camas de bonecas. Barbies. Uma
infinidade de coisas. Eu não tenho mais onde colocar brinquedos. A casa está
sempre bagunçada e essa bagunça me traz uma paz incrível.
Incrível
como a gente repete as coisas que vivemos. Ao chegar em casa, eu abro a porta
sem fazer barulho. Uma vez dentro, dou um assobio que é um toque único criado
por mim. Do mesmo jeito que meu pai fazia quando eu era pequeno. Logo que o
assobio é dado, começa a corrida das duas pra ver quem chega primeiro pra
abraçar minha perna. Não importa a colocação da corrida, Amanda abraça minha
perna esquerda e Luisa abraça minha perna direita. E olham pra cima e me
brindam com seus sorrisos e alegria por me ver.
Ato
contínuo, eu as levanto, uma em cada braço e vou dando beijo nas duas,
alternadamente, até colocá-las deitadas no sofá e ficar soprando na barriga
delas, fazendo barulho e cócegas. Deus, eu não sei se mereço essa felicidade.
Chegar em casa é uma alegria pra elas, acho que a segurança delas aumenta,
talvez, não sei. Mas pra mim é a recarga de energias. É a resetagem de todos os
problemas que tive naquele dia. A pele, o sorriso, o cheiro, o cabelo, a
mãozinha, a respiração…tudo isso são provas da existência de Deus, da graça, da
vida. Do elixir que nem todos têm o prazer de tomar.
E eu
me sento pra vê-las brincar. Como naquela música dos Rolling Stones, as tears
go by, eu sento e choro apenas vendo-as brincar. Choro enquanto elas sorriem. Hoje
eu tenho uma vida confortável, graças a Deus dinheiro não é minha preocupação,
mas não é aí que mora minha riqueza. Minha riqueza está ali sentada no chão. E
como diz também lá, as brincadeiras que elas pensam que são novas, eu já
brincava quando era pequeno e provavelmente meu bisavô também, quando pequeno.
Automaticamente
me transporto para a minha própria infância. Meu pai ainda não veio conhecê-las.
Minha mãe estava quando do nascimento. Quero muito que elas conheçam e tenham apêgo
aos meus pais, mais ou menos como tive com vovô Oliveira e vovó Vanda. Minha próxima
tarefa será retirar esse bubu. Meus planos são pra quando elas tiverem dois anos
de idade.
Eu sempre
gosto de beber no final de semana. Coloco meus DVDs no volume máximo da TV (como
dizia a Legião Urbana: ouça no volume máximo) e as meninas se divertem. Dançam,
riem e adormecem em cima de cima quando a bateria do corpo acaba. Sem som elas não
gostam, não dormem. Eu não quero mais nada dessa vida. Já tenho tudo!! Que venha
2008, que eu continue vivo e com saúde pra curtir minhas filhas amadas e aprender
com elas a cada dia a ser uma pessoa melhor!!
Fabiano Holanda, Dezembro
de 2007, Mississauga, ON.

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