A ideia é excelente. Coloca-se uma maquina que vende seus produtos sem precisar pagar um funcionário pra estar ao lado mostrando-os o tempo inteiro. E pro cliente também parece ser boa. Você compra o produto sem precisar aturar um vendedor chato ou ter que falar com ninguem. Mas na minha infância e adolescência eu não via essas maquinas em Natal. Porque não via? Sempre fomos um país de desonestos ou bárbaros ou homens das cavernas? O Matuto achava que tinha um anão dentro da máquina que contava o dinheiro e dava o produto escolhido. E até passava o troco.
Os
amigos que foram a Disney quando eu era adolescente, pois só fui
depois de velho, voltavam dos Estados Unidos maravilhados, contando
sobre as maquinas onde se colocava uma moeda e uma porta se abria e
você podia pegar todos os jornais, caso quisesse. Outras maquinas
vendiam absorventes femininos e os caras faziam moedas de gelo
somente pra pegar os absorventes e jogar no lixo. Aquela mentalidade
adolescente misturada com terceiro mundo, que dá uma mistura
explosiva.
Mas
respondendo, não tínhamos as vending machines no Brasa não porque
fossemos atrasados tecnologicamente ou porque vivíamos na selva, e
sim pois com inflação alta, a operacionalização dessas maquinas
não era possível. Imagine, ter que reajustar o preço de todas as
maquinas todos os dias e mais, quantas moedas eram necessárias pra
comprar uma Coca-Cola no final de um ano? Talvez com a quantidade de
moedas de uma Coca-Cola, a máquina já ficasse cheia. Somente com a
estabilidade monetária que veio junto com o Plano Real foi que se
tornou possível a comercialização e utilização desses artefatos.
Só
pra se ter uma ideia da diferença existente entre Brasil e Estados
Unidos em 1996. Lá, existiam cerca de 7 milhões de máquinas e no
Brasil, na mesma época, apenas 15 mil máquinas no país inteiro. Dá
pra se ter uma ideia do lucro que se deixar de ter quando as finanças
do país estão em desordem. As primeiras vending machines americanas
vendiam chicletes nas plataformas de trens, já pelos idos de 1890.
Eu
fazia muito uso dessas maquinas aqui no Canada ate que elas começaram
a engolir minhas moedas e somando o tempo que a pessoa fosse ligar
pro numero e que uma pessoa fosse atender e não resolver seu
problema, a pessoa já tinha quebrado a maquina inteira.
Quando
fiz uns trabalhos na Magna, fábrica de peças de carros, tinha uma
máquina lá que um cara colocou um cartaz dizendo: “Não coloque
suas moedas aí, essa máquina é má, ele engole todas elas”. O
dono da máquina arrancava, mas no outro dia estava lá de novo o
cartaz, ate que o dono desistiu e deixou o cartaz lá mesmo, que
arrancava risos de todos e afastava os clientes.
Em outro
lugar que trabalhei, na Taro Pharmaceutical, as maquinas tinham
sanduíches, frutas, e outras coisas frescas. O sujeito trocava todo
dia. Ou dizia que trocava. E ao lado da maquina, tinha uma maquina de
trocar dinheiro por moedas, pra facilitar o uso da vending machine em
si. Hoje em dia eu não as uso mais, pois só bebo Coca com gelo e as
maquinas não vendem assim.
Pensei até em investir nessas máquinas, mas depois de uma investigação mais profunda, percebi que elas não farão parte do futuro e o trabalho pra mantê-las cheias é grande em comparação ao lucro obtido.
Tem
uma piada que diz que Manuel, um português de Lisboa, viu uma
vending machine pela primeira vez em Toronto. Colocou um dólar e
saiu uma Coca-Cola de dentro. Colocou outro dólar e saiu outra
Coca-cola. E foi colocando dólares sucessivamente e saindo mais
Cocas. Ia passando outro gajo e vou aquela cena e perguntou: “Ô
Manuel, que estás a fazer?”. “Ora Caralho, não estás a ver que
cada dólar que coloco ganho uma Coca-Cola? Enquanto estiver
ganhando, continuo jogando, pá!!”
Fabiano Holanda, Julho de 2008, Mississauga, ON.

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